terça-feira, janeiro 17, 2006

Entre Calais e Dover

Recebo no início do ano, quando chego de viagem, um livro azul - a capa parece um vidro fumado, distorcendo a silhueta de uma mulher saída do século XIX. As pinturas são de Luís Noronha da Costa e os poemas de Jorge Reis-Sá. Encontro ali as palavras que ficaram por dizer no dia em que partiste, não são minhas, mas sim do poeta. Mas eu não sou poeta e apetece-me dizê-las do mesmo jeito ao teu ouvido:

A vida inteira esperei por
alguém como tu

Mesmo sabendo que não sei como és

E mesmo que
ainda não se tenha passado a vida inteira.

in Quase e outros poemas De Querença (Quasi, 2000, 1ª edição; 2005, 2ª edição)

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Para que você saiba 1 – Meu pé de laranja lima

Zezé, protagonista de Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, a certa altura, quando chora a perda do “Portuga”, descobre que o seu pé de laranja lima era, na verdade, o amigo morto.

Penso o quanto sou imensamente feliz por nós duas estarmos vivas e eu saber claramente, sem precisar perdê-la, que você é o meu pé de laranja lima. Não, quando eu partir, você não entoará um canto em forma de requiém, como a filha de Walter, em O Vale da Paixão, de Lídia Jorge. Porque nosso afeto encontrou o tempo certo, a palavra justa. Ultrapassamos os clariceanos laços de família e podemos viver esse sentimento pleno e raro: a amizade. Ela vence a distância física, os comuns defasamentos de ritmos entre os seres e se adensa cada vez mais. Por vezes beiramos a quase total coincidência e nos assustamos com esses profundos encontros de alma. E é a graça desta comunhão, por exemplo, que me permite afirmar: Deus existe.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

A catedral verde


Sempre que ando a pé com o meu amor pela nossa rua, contemplo as arcadas verdes das árvores, onde irrequietos passarinhos de várias espécies soltam os seus trinados, como quem celebra a alegria de viver. Alguns ignoram os limites das moradias e, em sinal de familiaridade, inspecionam as plantas das varandas, buscando alimento ou fiapos para tecerem seus ninhos. Às vezes espécies raras de aves pousam nos galhos mais altos da amendoeira em frente ao nosso apartamento e deixam-se admirar serenamente, numa convivência harmoniosa. Até um pequeno sagüi já fez-nos uma visita inesperada.

Na calçada do edifício ao lado, dois pés de acerola florescem. As frutinhas nem chegam a ganhar o seu alaranjado característicao e logo são colhidas pelos passantes.

Mais uns edifícios adiante, e eis-nos já na pracinha, onde as crianças a brincar fazem lembrar o canto alegre dos pássaros.

Não, não é um paraíso utópico. Para deleite dos privilegiados moradores, este oásis existe em plena Copacabana, no Bairro Peixoto.

Todos os dias louvo a beleza desta catedral verde onde há quase trinta anos escolhi viver.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Havana bela e sórdida


"Quando o fim-de-semana chegou estava cansada das caminhadas e do calor que ainda persistia; e talvez a minha exaustão aprofundasse um desespero crescente – o de caminhar outra vez pelas ruas de uma Havana bela e sórdida, que oferecia todas as variações floridas da decadência, todas as versões da destruição, tal como um paciente com uma doença impressionante ao qual não conseguimos virar as costas."
Por Amor a Che, de Ana Menéndez (Civilização, 2005, tradução (cuidada) deHelena Serrano)

Este é o primeiro (e belo) romance da escritora norte-americana, filha de cubanos exilados. Ana Menéndez trabalhou seis anos como jornalista no Miami Herald e iniciou a actividade literária com o livro de contos In Cuba I Was a German Shepherd. A sua nova obra apresenta-nos uma narradora em busca da sua própria história: criada pelo avô em Miami, nunca conheceu os pais.

Uma intensa forma de amar


Ser avó/avô é uma das formas de amar mais intensas que podemos experimentar. O amor de avó/avô, despojado da preocupação de educar - árdua tarefa que, a princípio, cabe aos pais e que é nitidamente orientada para o futuro -, pode realizar-se numa espécie de presente amplo. Como se o coração enfim rompesse os limites físicos e se unisse à alma, numa experiência à beira do inefável, próxima talvez à da plenitude da experiência mística.

domingo, janeiro 08, 2006

O céu de Cuba



Quando há água por todos os lados e não se tem forças para remar contra a maré, resta olhar para o céu. Do chão até ao fim da atmosfera - este é o atalho imaginário para a liberdade, só a viagem vertical permite esquecer que o mundo ao alcance das mãos é só um atlas de papel.

sábado, janeiro 07, 2006

A Indiferença

V. escreveu-me hoje. Agradecia-me por algumas palavras (eu é que lhe devo um obrigada, eu, que já falhei tantos convites seus para tertúlias literárias). E disse-me que não está tudo de pernas para o ar.

"Está pior: está indiferente. A indiferença está a corroer a cidade. Em termos lineares, claro (e ainda bem que há excepções), os novos que pensavam que sabiam tudo e estão atarantados e amedrontados porque chegaram à conclusão de que sabem muito pouco. Os velhos estão atormentados e etilizados: o uísque corroi-lhes a coragem e serena-lhes a impotência. Com tudo isto, raramente as pessoas páram para saborear os pequenos momentos. Por exemplo, já reparaste que raramente vês um pai (quem diz pai diz mãe) a passear com um filho, na cidade, a um dia da semana? Como pode uma cidade respirar saúde se não não há pais a passear, sorridentes, com os filhos nas suas ruas? E como podem os filhos mais crescidos achar piada a uma cidade do Porto cada vez mais velha e suja?"

quinta-feira, janeiro 05, 2006

De pernas para o ar

Regresso ao Porto e tenho a sensação de que anda tudo de pernas para o ar. Uns desligam o telemóvel ad eternum, outros dizem que desistiram de desistir. Ninguém num estado verdadeiramente deplorável, todos tentando manter a linha, agir em conformidade, mas com um giganstesco aviso de SOS colado às costas. O que se passa? Por que é que os amigos não procuram o regaço dos amigos?

sábado, dezembro 24, 2005

Um Natal cubano



Cuba é o país que nos ensina a conservar aquilo que temos. Um sabonete que derrete na curva da banheira. Um carro que, apesar da idade, cumpre as suas funções sem dar grandes razões de queixa. Ou, pelo menos, um território cujo povo nos leva a valorizar a abundância em que vivemos. O amplo espaço de respiração de que gozam os jornalistas europeus. Os incontáveis livros que temos nas estantes de livrarias e bibliotecas. Todos ao alcance das mãos. Sem restrições.

Vejo as árvores de Natal que se proliferam pelo Rio de Janeiro e não consigo deixar de imaginar como será a consoada cubana. Nem sai da minha memória a alegria de um povo que, com quase nada, e um esparadrapo invisível sobre os lábios, deseja "buena suerte" aos estrangeiros que cruzam o seu caminho.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

A força da gravidade é... fraca!

Leio uma entrevista da físca norte-americana Lisa Randall à Folha de São Paulo e fico espantada diante da seguinte afirmação: "Baseado no poder das outras forças, como a electromagnética ou as forças atómicas, era de se esperar que a gravidade fosse mais forte." Parece estranho, mas faz todo o sentido. Com um pequeno imã, conseguimos atrair um gancho de cabelo, um movimento que contraria a força gravitacional de um planeta inteiro. "É um grande mistério porque as diferentes forças têm intensidades tão diferentes!", comenta Randall, uma cientista que se parece com Jodie Foster e acaba de lançar o livro "Warped Passages" (ainda sem tradução prevista para Portugal ou Brasil).

domingo, dezembro 04, 2005

O poder dos livros

"Esta capacidade que um livro possui de estabelecer as suas próprias relações, de conquistar pessoas de idades improváveis e de fazer a escolha do seu próprio caminho, é para mim uma coisa fascinante. Como ser vivo, ele nasce, cresce e parte. Como podia eu servir-me dele para fazer passar uma mensagem, ainda que fosse pedagógica? Não, um livro não é pombo-correio, não tem de levar nada na anilha. Não há, aliás, que pôr qualquer anilha. A sua natureza de nobre não admite que se lhe adscrevam missões. Não nutro a intenção de ensinar nada, a não ser que se chame ensinar a dar a mão e a fazer perder o medo para o voo."

Hélia Correia em entrevista a Maria João Cantinho, publicada na revista on line Storm

segunda-feira, novembro 28, 2005

A vida íntima das gavetas

Arrumo velhos papéis esquecidos em pastas e gavetas.
Lixo ou armário? Por vezes hesito.
Formo duas pilhas, que deveriam ser três:

a dos papéis que vale a pena guardar (bem maior... tenho dificuldade de me desfazer das coisas);
a dos que definitivamente não prestam;
a dos que ainda – quem sabe? – podem servir um dia...
Há anotações, nomes, telefones, fragmentos de idéias de que já não lembrava.
Algumas detêm o tempo e a tarefa, desviando-me para uma viagem da
memória. Outrora agora.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Sempre aos domingos

Todas as manhãs ensolaradas de domingo lá está ele, na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Siqueira Campos. Deve chegar cedo (de onde virá?) para armar a sua barraquinha musical. Sem grande alarde, de pé ou sentado num banquinho, põe para tocar antigos sucessos. Um pequeno cartaz com uma reprodução do seu rosto ainda jovem, provavelmente a mesma que serviu de capa a um LP, anuncia que é ele o dono da voz.
No cruzamento, a cada sinal que abre e fecha, uma pequena multidão passa indiferente pelo simpático cantor e segue na direção da praia. Muitos deles são caminhantes do calçadão ou fregueses da feira da Praça Serzedelo Correia. De vez em quando alguns transeuntes param. São em geral casais de meia-idade ou já idosos, atraídos talvez pela canção que foi trilha sonora de um momento especial de suas vidas. E entre o cantor e seus fãs logo se inicia uma conversa animada. De pares que se reencontram e gostam de relembrar "aquele" tempo. Um tempo que desconhecia DVDs, mega shows e celebridades espontâneas.
A falta de sucesso midiático e a ausência da mão esquerda, só perceptível quando se afasta um pouco da sua banquinha, não conseguiram tirar-lhe o sorriso. Seu semblante e seus gestos são evidências de que possui em alta dose aquele dom ou talento que dizem que o brasileiro tem de insistir, persistir, resistir.
O hoje quase anônimo cantor de outrora não será matéria de pauta de nenhum noticiário ou suplemento de jornal. Nem de fantásticos programas televisivos. Mas no próximo domingo decerto estará na mesma esquina, espalhando a todos os passantes, atentos ou distraídos, o seu pequeno brilho não fugaz.
Conforta esta rara certeza em época de tantas incertezas. Apetece-me dizer-lhe timidamente que ele faz parte do meu show. Sempre aos domingos. Sempre que houver bom tempo. Oxalá que aos domingos nunca chova.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Encontrar a linha que há dentro de nós

Num texto de Helen Barlow sobre o cineasta japonês Miyazaki, publicado no passado dia 16 de Outubro na Pública, li uma frase que me intrigou:

"Um lápis não é só para fazer uma linha. É como procurar e encontrar a linha que existe dentro de nós. Mas agora há poucos animadores que tragam para o exterior o subconsciente que existe dentro deles. Os jovens animadores viram demasiada realidade virtual e sucumbiram-lhe. Por isso o meu tipo de animação é uma indústria muito antiquada"

Não defendo o retorno ao passado, nem sou uma entusiasta enlouquecida das novas tecnologias. Mas é impossível não admirar a beleza do modo como pensa o autor de O Castelo Andante. Recordo-me de ter ouvido uma grande amiga, recentemente, dizer algo semelhante: as famílias nunca estiveram tão apetrechadas com telemóveis, câmaras, computadores e outros dispositivos tecnológicos e, ao mesmo tempo, as famílias nunca se comunicaram tão pouco.

domingo, novembro 13, 2005

Message in a bottle

Quando este cais nasceu, havia no seu nome um desejo muito claro de troca transatlântica. Porque a identidade de alguém com o meu percurso é sempre muito diluída, não se é nem brasileira nem portuguesa. Uma espécie de ser que prefere habitar o tal espaço "entre", águas internacionais, um Atlântico que não pertence a ninguém porque é de todos. E, como tal, uma zona que tudo pode acolher.
Porque, como diz MB, cais é uma palavra inaudita - suscita ao mesmo tempo a ideia de encontro e partida, movimento e paragem, saudade e alegria. Hoje, lendo as "notícias" que a Tuki tem delicadamente depositado em garrafas que bóiam em água salgada, percebo que sozinha nunca teria alcançado o meu objectivo inicial. E talvez por isso mesmo este espaço tenha andado tão moribundo até à sua chegada.
Como é bom ler aqui pensamentos engendrados abaixo da linha do Equador, escritos numa grafia tropical que só torna a língua portuguesa mais rica. Como é bom amar profundamente alguém que vem à enseada com um texto tatuado na palma das mãos, que pousa os dedos sobre a fina vaga que já é quase só espuma na areia, com extremo desvelo, para que nenhuma notícia perca a rota da Europa.

quinta-feira, novembro 10, 2005

O rio de que somos feitos

Fernando Pessoa, no poema Além-Deus, lançou esta meditação poética: "O que é ser-rio, e correr?". E Maria Gabriela Llansol, em Finita. Diário 2, escreveu: "Em mim várias nascentes confluíram".

Somos rios formados pela confluência de várias nascentes – os nossos ascendentes, pais, avós, bisavós... Água em curso. Ponto de confluência de águas e origem de novas correntes. Corremos em direção à foz, sem saber quando a encontraremos. Tememos esse encontro por várias razões. Porque sentimo-nos atraídos pelas paisagens que atravessamos pelo caminho e não queremos deixar de ver aquilo e, sobretudo, aqueles que amamos. Porque temos medo do desconhecido. Porque, ao encontrá-la, dissolvemo-nos no grande mar, pois a água que somos mistura-se à de outras correntes e incorpora-se ao grande caudal do indiferenciado. Porque...

quarta-feira, novembro 09, 2005

A leitura trazida de casa

O poeta e cronista Paulo Mendes Campos aprendeu a ler com a mãe, por ele homenageada numa crônica que recebeu o seu nome, Maria José. Ela contava-lhe histórias de santos, como a dos dois Franciscos, o de Sales e o de Pádua, e iniciou-o nos caminhos da literatura:

"apresentou-me aos contos de Edgar Poe e aos poemas de Baudelaire; dizia-me sorrindo versos de Antonio Nobre que decorara menina; discutia comigo as idéias finais de Tolstoi; escutava maternalmente meus contos toscos. Quando me desgarrei nos primeiros enleios adolescentes, Maria José com irônico afeto me repetia a advertência de Drummond: "Paulo, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será."

Otto Lara Resende, ao evocar o amigo Paulo Mendes Campos, refere-se a essa iniciação literária propiciada por um ambiente familiar em que se "respirava a liberdade da poesia":

"Paulo se iniciou nos poetas por sua própria mãe. Seu pai, Mário Mendes Campos, médico e letrado, pertencia à Academia Mineira. Conhecia e adivinhava literatura hispano-americana. Quem, senão o pai do Paulo, poderia nos dar a notícia de um poeta chamado Vicente Huidobro? A família Mendes Campos respirava a liberdade da poesia"

segunda-feira, novembro 07, 2005

A felicidade é feita de coisas pequenas

O psiquiatra e psicoterapeuta Roberto Shinyashiki, autor do livro Heróis de verdade, numa entrevista concedida à revista Isto É, em outubro de 2005, observou que a supervalorização da aparência e a falta de competência imperam na nossa sociedade: ‘hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o grande objetivo de vida se tornou o parecer’; ‘o mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal’. Segundo a referida matéria, ‘nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que precisa ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não compartilha com a síndrome de super-heróis’. Inspirado nos versos do poeta português, Shinyashik defende que é preciso uma mudança de atitude: ‘O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras’. Da sua experiência de conversar com doentes terminais, quando era recém-formado, extraiu uma lição: ‘ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado dinheiro em imóveis’. Com eles aprendeu que a felicidade é feita de coisas pequenas, como apreciar a beleza e saborear um morango.

domingo, novembro 06, 2005

O monstro da indiferença

Pesquisando sobre Fernando Sabino e seus três amigos inseparáveis - Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino - , encontrei este belo trecho de Otto, extraido de Vista Cansada, sobre o poeta e a criança:

'Uma criança vê o que um adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que de tão visto ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher. Isso exige às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos.
É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.'

Formulo um desejo, após leitura deste texto: que a minha vista nunca fique cansada diante do espetáculo do mundo. Que no meu coração nunca se instale o monstro da indiferença.

sábado, novembro 05, 2005

Como conhecer o ser amado?



'Só podemos amar aquilo que conhecemos'. Esta frase, pronunciada de forma afirmativa e definitiva por um entrevistado num programa de TV, causou-me inquietação. Penso que, ao emiti-la, o seu autor pensou em convivência ou em algo semelhante. Ponho-me a divagar, enquanto arrumo papéis. De início, experimento invertê-la: 'Só podemos conhecer aquilo que amamos', o que excluiria do conhecimento os que nos provocam outros sentimentos. Depois, retiro-lhe o ponto final e acrescento-lhe um de interrogação: 'Só podemos amar aquilo que conhecemos?'. Em seguida, lanço novas perguntas: 'É possível conhecer, de fato, alguém – amado ou não?' O debate íntimo ainda continua.