quinta-feira, março 02, 2006

Sobre a pneumonia

Outro Poema Para o Meu Amor Doente, de Eugénio de Andrade

Outono, pássaro de melancolia
num céu sem cor que não promete nada,
mar de insónia onde o teu corpo paira
ou um aroma de terra molhada

Respiração humana

Por que choramos ao ler determinadas passagens de um livro ou ao assistir cenas de alguns filmes? Ou mais especificamente, por que a emoção por vezes vem-nos aos olhos e derrama-se em certos momentos que deixam os demais leitores ou espectadores impassíveis?

Percebo-me a chorar durante a projeção de As chaves de casa, filme sobre Paolo, um jovem com deficiências físicas e psicológicas provocadas por complicações durante o seu parto, a que se seguiu a morte da mãe e a rejeição do pai. Na cena que me provocou lágrimas, a personagem Nadine, cuja filha tem problemas ainda mais sérios do que os do rapaz, diz ao pai de Paolo, atarantado ante as dificuldades de enfim assumir o filho: faltou “respiração humana” junto ao berço do menino recém-nascido.

Esta afirmação punge-me intensamente. Ela toca-me porque nela descubro parte da minha história e que talvez nem com anos de Psicanálise pudesse aflorar. Narrativas familiares contam que minha mãe, numa época e numa região de extrema escassez, a ponto de meu pai precisar emigrar, viu-se sozinha, às voltas com o papel de maternar duas crianças pequenas – a minha irmã, de menos de dois anos de idade, e eu, recém-nascida e gravemente doente –, e acumulando ainda a função de provedora do lar. De manhã cedo até ao anoitecer, trabalhava como jornaleira (mulher-a-dias) no campo, semelhante à bóia-fria do Brasil. E, sem tempo para choro ou lamentações, ia secando as lágrimas e suportando como podia as saudades do marido distante e a dureza da vida.

Para que não percebêssemos a sua longa ausência, ela mantinha o nosso aposento o máximo possível no escuro, assim julgaríamos que era noite e dormiríamos mais. Se acordávamos e chorávamos, não havia ninguém ali para ouvir e acudir. Para nós, e em especial para mim, praticamente só havia a noite e quase nenhum colo. Nesse tempo não havia fraldas de papel, alimentação infantil industrializada nem outros recursos semelhantes. E se houvesse, ela não teria condições de adquirir. A alimentação das filhas pequenas só podia ser dada muito cedo, antes de ela sair para a lavoura, e muito tarde, quando regressava, extremamente exausta e faminta, e ainda tendo que cuidar da nossa higiene e da rotina doméstica.

Na fase do berço, minha irmã, primeira filha do casal, nascida quando nosso pai e nossa mãe iniciavam o casamento e o sonho de uma vida familiar com menos pobreza, conseguiu pegar um pouco do colo e do convívio com os dois. Quando começou a andar, ia com o meu pai para os trabalhos do campo. Admirava-se com o regato de água que irrigava os campos de milho – “ai tanta água!”, aprendeu a dizer ao nosso pai, que achava graça do espanto da menina - e distraía-se tentando pegar maçãs meio apodrecidas que caíam no caminho. Quando eu nasci, a situação de penúria aumentou, e meu pai tomou a difícil decisão de deixar a família e a terra natal, em busca de um futuro melhor para nós.

Só conheci meu pai aos quatro anos de idade, quando a família finalmente se reencontrou. Faltou-me no berço “respiração humana”, não por morte de mãe ou abandono de pai, mas por contingências da vida madrasta, que nos abandonou a todos. Entender isso conforta. Mas a quase total ausência do sopro que acalenta o bebê é uma lacuna que não poderá ser preenchida. Permanece como falta, ainda que sem culpas. E as marcas da longa noite da infância ainda permanecem, em forma de hipersensibilidade a qualquer tipo de luz: só no mais pleno escuro consigo adormecer.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Réquiem por um raro tesouro humano

Ele nasceu para amar a família, não a família por ele constituída através do casamento – mulher e filhos -, mas a que lhe coube por laços de sangue. Emigrou ainda jovem da terra de origem. E durante toda a vida o seu amor maior, além do interesse pelo trabalho, do gosto pela boa mesa e do prazer de jogar uma partida de cartas de vez em quando, era ajudar de alguma forma a todos. A cada Natal, a cada viagem de regresso ao seu país, seu pensamento esteve sempre voltado para essa família. Espalhou a sua imensa generosidade com grandeza de alma, sem olhar muito a quem contemplava, sem esperar nenhum reconhecimento. Fez o bem com o suado fruto do seu trabalho, não como penhor do futuro, mas pela pura intenção de fazer o próprio bem. Talvez o fizesse em nome da sua grande saudade dos pais e da casa que o viu nascer. Talvez para alguns parecesse uma criança grande, de quem se pode facilmente tirar um doce. Sua capacidade de doação era tamanha, que muitos julgaram que só podia ser um grande milionário, alguém que em terras estrangeiras tinha encontrado a ambicionada árvore das patacas. E freqüentemente se engalfinhavam para aumentar o seu imerecido quinhão.

Silenciosamente ele adoeceu. Foi-se apagando aos poucos a chama da sua vida. Viver foi perdendo o sentido. Por amar demasiada e desinteressadamente os seus, perdera aquilo a que também chamamos anima. Decerto percebeu as artimanhas e astúcias, algumas escancaradas, para arrancar-lhe mais e mais patacas. Decerto apercebeu-se da crescente desagregação familiar. E foi ficando mudo, vagaroso, quase imóvel, como se o movimento do corpo correspondesse ao da tristeza da alma.

Quando partiu de repente, manifestando ainda, através da dor da perda de um familiar, um gesto de amor, um último gesto de amor à família, alguns – poucos - o choraram muito sentida e discretamente. Choraram ao ver partir, de morte só aparentemente súbita, um ser incomum, mas consolava-os porém entender que assim pararia de sofrer a sua morte em vida. Outros, por trás da fingida comoção, disfarçadamente exultaram ante a possibilidade de enfim receber sua parte dos ovos de ouro. Outros ainda sequer disfarçaram, não se preocupando em esconder seu desamor. Muito poucos perceberam que aquele que partia era o verdadeiro tesouro, um raro tesouro humano neste nosso tempo de indigência ética e amorosa.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Abraço da amendoeira

Quando estava muito debilitada, com o corpo doente, sufocada pelos acessos de tosse, senti necessidade de tomar um pouco de ar na varanda. Percebi que um galho da amendoeira se projetava em minha direção, como alguém que estende os braços, fraternamente, desejando dar alento ao outro. Por impulso, agarrei com as duas mãos o galho que se me ofertava, fechei os olhos, e recebi a energia que a árvore –mãe me enviava. No dia seguinte, já um pouco melhor, segurei novamente o generoso ramo, desta vez para agradecer a mensagem de vida.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Poema para o meu amor doente

Estava debilitada, febril, praticamente de cama, e recebi de alguém muito amado uma mensagem eletrônica com este título - Poema para o meu amor doente - e tendo como conteúdo este poema, de Eugénio de Andrade:

Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.


As dores do corpo não desapareceram de imediato, mas uma sensação de conforto afetivo inundou-me o corpo e a alma, formando uma espécie de halo que se irradiou e se estendeu, como braços invisíveis, para me afagar.

Preciso dizer à doadora: colho embevecida as mãos que se me oferecem em buquê.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

vestigia lectionis

O Paulo escreve coisas belíssimas, recorda-nos, por exemplo, que quem lê nunca está só. É verdade. Talvez por isso as pinturas ou fotos de pessoas a ler transmitam tanta serenidade. Ou prazer, pela aquisição do conhecimento. Sem perceber, Paulo organizou um pequeno inventário da iconografia da leitura.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Já confundimos tanto as nossas pernas, diz com que pernas eu devo seguir

Foto de Andre Kèrtesz


"Aquele ciclo banal de adormecer e acordar no escuro, por baixo da roupa, com outro ser, um mamífero pálido, suave e terno, de faces encostadas num ritual de afecto, sedimentado por breves instantes nas necessidades eternas de ternura, consolo, segurança, de membros entrelaçados para estarem mais próximos - uma simples consolação diária, quase demasiado óbvia, fácil de esquecer com a luz do dia. Será que alguma vez foi descrito por um poeta? Não uma ocasião em particular, mas a sua repetição ao longo dos anos."

Sábado, de Ian McEwan (Gradiva, 2005)


segunda-feira, fevereiro 06, 2006

A dor da indiferença

Pesquisadores norte-americanos concluíram que perceber o sentimento ou atitude de indiferença por parte de quem amamos (amigo, amado ou outro ente querido) provoca no cérebro uma reação semelhante à provocada no lado que sente a dor física.

A indiferença e o esquecimento pungem, fazem sangrar a alma. Não faz sentido causar dor a alguém, especialmente a quem amamos. Não faz sentido sofrer dor, sobretudo se for causada por um ser amado.

sábado, fevereiro 04, 2006

Todas as cores do nome de amor

Quem não fica extasiado ao contemplar um arco-íris no céu? A física explica esse fenômeno do arco-íris atmosférico que transforma a luz branca em cores brilhantes. Os Dicionários da Língua Portuguesa o definem e registram vários sinônimos: arco-celeste, arco-da-aliança, arco-da-chuva, arco-de-deus, arco-da-velha. Simbolicamente, esta ponte imensa que liga a Terra ao Céu, por ser efêmera e de difícil visibilidade, representa algo mágico, maravilhoso, mas difícil de ser atingido.

Imagine um lugar em que crianças crescem-em-educação e, junto com as professoras, constróem pontes entre o real e o imaginário, mantendo vivas todas as cores do nome de amor – o amor de ler, o amor de ensinar/aprender (mantháno, como os gregos chamavam o movimento de ensinar e aprender). Ele lugar existe e persiste, impulsionado pelo sonho e pela ação de duas diretoras (Centro de Educação e Crescimento Arco-Íris, Vassouras, Estado do Rio de Janeiro).

Oxalá existam outros arco-íris como este espalhados pelos diferentes lugares do Brasil e do Mundo, e que as crianças possam crescer para a apetência de beleza.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

A leitura dos corpos


Aqui encontra-se imagens belíssimas da leitura, com um olhar semelhantes àquele que mostramos há tempos (On reading, de André Kértesz). As posições que o corpo encontra para se debruçar sobre um livro constituem um kamasutra mais erótico do que se possa imaginar. Quem duvida, deve ler O prazer do texto, de Roland Barthes.

domingo, janeiro 29, 2006

Anjos da América

"O corpo é o jardim da alma."

Mesmo que fosse só para ouvir uma Emma Thompson alada a dizer a frase acima já valeria a pena espreitar esta excelente série da HBO, recentemente lançada em DVD. Numa caixa estão condensados os seis primeiros episódios, o equivale a quase sete horas de puro prazer sobre o sofá. Fundamental para compreender a América dos anos 80, atordoada com Reagan no poder, a Sida e o orgulho desmedido de ser "a" terra da liberdade. Fundamental para compreender como a América é o que é no século XXI.

Para que você saiba 2 – Milhões de anos e alguns raros encontros

Procuro, em Inquérito às Quatro Confidências, de Maria Gabriela Llansol, a melhor forma de dizer o quanto cada vez mais me apercebo da raridade do nosso encontro. Esse Diário é uma despedida, uma longa carta de amor a Vergílio Ferreira, que está para partir (como a obra de Vergílio é, no fundo, uma interminável Carta a Sandra ), escrita porém não à maneira da epistolografia comum, mas à luz da estética do fulgor:

Quando ele partir,
ficarei ainda mais longe das referências da compreensão, da ponderabilidade das coisas, dos segmentos certeiros e eficazes do ler comum. Augusto que me ouve tenta centrar-me, à revelia do que sinto: - São milhões de anos, e alguns encontros. Sempre assim foi, Maria Gabriela. Escusam de gemer. Vocês os dois, tiveram uma oportunidade raríssima.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Escondidinho


O novo filme do austríaco Michael Haneke, Caché, consegue ser melhor do que o anterior, A Pianista. As nossas vidinhas comezinhas estão todas lá: a editora de livros (Juliette Binoche) e o apresentador de magazine literário (o já acabadote mas ainda charmoso Daniel Auteuil), membros oficiais da elite cultural, apavoram-se quando percebem que o seu quotidiano está a ser monitorado por alguém.

Fitas de vídeo mostram-nos a entrar e sair de casa. Fitas de vídeo que surgem, como que caídas do céu, à porta da moradia do casal. Não vêm sozinhas, mas sim embaladas em mensagens pictóricas (aliás, tudo no filme é imagem, não estamos nós na sociedade da imagem?): desenhos infantis com manchas escarlate sugerem uma criança ou um galo a deitar sangue.

E como reagem estas pessoas tão letradas diante do desconhecido que vem bater à porta? Um incógnito que não vem com legenda ou resumos de contracapa? Reagem como humanos que são. Sentem medo.

A personagem de Auteuil, mais precisamente, assume comportamentos agressivos. O homem letrado é também um animal acuado pelo passado. Ameaça Majid, um argelino com quem privou na infância e que esteve a um passo de ser adoptado pela sua família. Majid é o seu suspeito, o presumível autor das chantagens imagéticas.

O crítico João Jopes escreveu que "aquilo que Haneke filma é um modo de vida em que as imagens, mais do que um duplo da realidade, passaram a existir como uma nova realidade, fortíssima e incontornável, enredada em todas as componentes da nossa existência". Mas não é só isso. Aquilo que Haneke filma somos nós, cobertos pelo verniz da cultura que supostamente nos torna mais compreensivos e civilizados.

Nós, os cultos que têm medo do Outro - o negro que passa de na bicicleta na rua, os argelinos que gostariam de ser franceses, os filhos dos argelinos que se acham franceses e queimam carros. Nós, os cultos que exortamos o encontro com o Outro e o pluralismo. Nós e a nossa culpa.

Mostra! Mostra!

Descubro hoje (lendo a nova revista do DN, a Sexta) que Jorge Reis-Sá vai lançar o seu primeiro romance pela D. Quixote. Estamos à espera.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Entre Calais e Dover

Recebo no início do ano, quando chego de viagem, um livro azul - a capa parece um vidro fumado, distorcendo a silhueta de uma mulher saída do século XIX. As pinturas são de Luís Noronha da Costa e os poemas de Jorge Reis-Sá. Encontro ali as palavras que ficaram por dizer no dia em que partiste, não são minhas, mas sim do poeta. Mas eu não sou poeta e apetece-me dizê-las do mesmo jeito ao teu ouvido:

A vida inteira esperei por
alguém como tu

Mesmo sabendo que não sei como és

E mesmo que
ainda não se tenha passado a vida inteira.

in Quase e outros poemas De Querença (Quasi, 2000, 1ª edição; 2005, 2ª edição)

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Para que você saiba 1 – Meu pé de laranja lima

Zezé, protagonista de Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, a certa altura, quando chora a perda do “Portuga”, descobre que o seu pé de laranja lima era, na verdade, o amigo morto.

Penso o quanto sou imensamente feliz por nós duas estarmos vivas e eu saber claramente, sem precisar perdê-la, que você é o meu pé de laranja lima. Não, quando eu partir, você não entoará um canto em forma de requiém, como a filha de Walter, em O Vale da Paixão, de Lídia Jorge. Porque nosso afeto encontrou o tempo certo, a palavra justa. Ultrapassamos os clariceanos laços de família e podemos viver esse sentimento pleno e raro: a amizade. Ela vence a distância física, os comuns defasamentos de ritmos entre os seres e se adensa cada vez mais. Por vezes beiramos a quase total coincidência e nos assustamos com esses profundos encontros de alma. E é a graça desta comunhão, por exemplo, que me permite afirmar: Deus existe.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

A catedral verde


Sempre que ando a pé com o meu amor pela nossa rua, contemplo as arcadas verdes das árvores, onde irrequietos passarinhos de várias espécies soltam os seus trinados, como quem celebra a alegria de viver. Alguns ignoram os limites das moradias e, em sinal de familiaridade, inspecionam as plantas das varandas, buscando alimento ou fiapos para tecerem seus ninhos. Às vezes espécies raras de aves pousam nos galhos mais altos da amendoeira em frente ao nosso apartamento e deixam-se admirar serenamente, numa convivência harmoniosa. Até um pequeno sagüi já fez-nos uma visita inesperada.

Na calçada do edifício ao lado, dois pés de acerola florescem. As frutinhas nem chegam a ganhar o seu alaranjado característicao e logo são colhidas pelos passantes.

Mais uns edifícios adiante, e eis-nos já na pracinha, onde as crianças a brincar fazem lembrar o canto alegre dos pássaros.

Não, não é um paraíso utópico. Para deleite dos privilegiados moradores, este oásis existe em plena Copacabana, no Bairro Peixoto.

Todos os dias louvo a beleza desta catedral verde onde há quase trinta anos escolhi viver.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Havana bela e sórdida


"Quando o fim-de-semana chegou estava cansada das caminhadas e do calor que ainda persistia; e talvez a minha exaustão aprofundasse um desespero crescente – o de caminhar outra vez pelas ruas de uma Havana bela e sórdida, que oferecia todas as variações floridas da decadência, todas as versões da destruição, tal como um paciente com uma doença impressionante ao qual não conseguimos virar as costas."
Por Amor a Che, de Ana Menéndez (Civilização, 2005, tradução (cuidada) deHelena Serrano)

Este é o primeiro (e belo) romance da escritora norte-americana, filha de cubanos exilados. Ana Menéndez trabalhou seis anos como jornalista no Miami Herald e iniciou a actividade literária com o livro de contos In Cuba I Was a German Shepherd. A sua nova obra apresenta-nos uma narradora em busca da sua própria história: criada pelo avô em Miami, nunca conheceu os pais.

Uma intensa forma de amar


Ser avó/avô é uma das formas de amar mais intensas que podemos experimentar. O amor de avó/avô, despojado da preocupação de educar - árdua tarefa que, a princípio, cabe aos pais e que é nitidamente orientada para o futuro -, pode realizar-se numa espécie de presente amplo. Como se o coração enfim rompesse os limites físicos e se unisse à alma, numa experiência à beira do inefável, próxima talvez à da plenitude da experiência mística.

domingo, janeiro 08, 2006

O céu de Cuba



Quando há água por todos os lados e não se tem forças para remar contra a maré, resta olhar para o céu. Do chão até ao fim da atmosfera - este é o atalho imaginário para a liberdade, só a viagem vertical permite esquecer que o mundo ao alcance das mãos é só um atlas de papel.