Um blogue escrito por três pares de mãos separados por águas atlânticas. Uma viagem com escalas no Rio de Janeiro, em Londres e Senhora da Hora.
sábado, novembro 01, 2008
Lendo Llansol - entre 1 e 2 de Novembro
(...) A noite criativa foi a de 1 para 2 de Novembro - estabeleceu-se assim um elo entre os vivos e os mortos, e os vivos tomaram responsabilidade no reino dos mortos, e os mortos assumiram a sua responsabilidade no reino dos vivos; (...) "
(Fragmento de Um falcão no punho. Diário 1. Lisboa: Rolim, 1985, p. 94 )
sexta-feira, outubro 31, 2008
Lendo Llansol - sobre cartas
e ainda não atingiram o valor futuro, que hão-de ter e se,
no momento intermédio da passagem,
são autênticos invisíveis,
que perguntas continuarei eu a enviar-te
como quem espera por um alimento desconhecido,
e tem necessidade de o fazer como quem come?"
(fragmento de "Oferenda a Apollinaire______" in Mais Novembro Do Que Setembro, de Guilhaume Apollinaire. Tradução e Prefácio de Maria Gabriela Llansol. Lisboa: Relógio d'Água, 2001, p. 14)
sexta-feira, outubro 24, 2008
Chegada
O corpo ainda não se adaptou ao fuso horário. O espírito estranhou um pouco as ruas, as gentes, a casa e os objetos que deveriam ser familiares.
No primeiro dia após o regresso, logo de manhã, vi que o meu neto do coração cresceu bastante e já fala muitas palavras novas. Não me esqueceu! Assim que percebeu que voltamos, antes de ir para a escola, fez questão de visitar-nos e passar umas horas com a titia.
Muito à vontade, pediu para ver desenhos animados, aninhado na nossa cama. Depois veio brincar com os carrinhos dele, enquanto eu limpava algumas prateleiras do armário da cozinha. De tarde, quando regressou da creche, chamou-me para brincar na fresta da varanda. Expliquei-lhe que estava muito suja e suada e que precisava tomar um banho. Ele entendeu.
Ainda não pude ver o mar que tanto amo. Pretendo vê-lo hoje à tardinha, quando formos dar a habitual caminhada. Depois eu conto como foi esse reencontro.
quarta-feira, outubro 22, 2008
A gramática das crianças
_ É uma borracha. Serve para apagar o que a gente escreve.
_ Posso usar?
_ Claro que sim, pérola da minha vida.
[cerca de cinco minutos depois entra na sala a querida tia-avó]
_ Então, meu amor? O que é que você está fazendo?
_ Estou a "borrachar".
quarta-feira, julho 23, 2008
Desenhando no presente um comovido até breve
quinta-feira, julho 17, 2008
Em breve, a alegria do reencontro, do outro lado do cais
Em breve estarei do outro lado do cais. Por um período de três meses (23-24/07- 22/10) - que oxalá seja só de abraços e prazerosos convívios - talvez não escreva com a costumeira freqüência nesta página. É que quando estamos vivendo intensamente com os que amamos, não precisamos tanto de escrever as saudades. Mas como, com certeza, surgirão saudades dos que deixo do lado de cá, é possível que sinta necessidade de escrevê-las... Prometo que o farei, sempre que tiver oportunidade.
terça-feira, julho 15, 2008
O sublime no cotidiano
Levei uma fotocópia da minha carteira de identidade (B.I.) para, numa eventualidade, caso a mãe precise, eu poder pegá-lo. Foi uma experiência aparentemente corriqueira, mas para mim, por tudo o que tenho vivido nos últimos anos, teve uma dimensão imensa. Senti-me acolhida, amada, integrada a esta família por laços de afeto tecidos com respeito e atenção cotidianos.
Já deixei com a irmã alguns papéis de carta, da coleção do meu tempo de professora. E para o menininho, um bloco com desenhos para colorir. Há carrinho, lua, avião, sinal de trânsito, enfim, coisas que fazem parte de nossas vivências comuns. Assim, quando perguntar pela "titia", poderá lidar melhor com a "saudade". A partida está preparada, mas o meu problema será: como eu vou lidar com a saudade do menininho?
segunda-feira, julho 14, 2008
domingo, junho 29, 2008
Como pode um bebê entender e expressar a saudade?
sexta-feira, junho 27, 2008
Adeus a Sylvinha Araújo
quarta-feira, junho 25, 2008
segunda-feira, junho 16, 2008
sexta-feira, junho 13, 2008
Santo Antonio, Fernando Pessoa e a rapariga que temia a impostura da língua
quinta-feira, junho 12, 2008
Aos namorados de todos os tempos
por toda a minha vida eu vou te amar"
(Tom & Vinícius)
"penso que as beguinas sabiam que o amor (a amizade, a paixão, o segredo) têm lugar no corpo, mas muito pouco lugar; ele é uma manifestação do espirito, que é tão corpóreo como esta mão que escreve; por isso, quando se diz a alguém 'eu amo-te', é para sempre que fica dito"
(Maria Gabriela Llansol)
Tristão e Isolda
Pedro e Inês
Romeu e Julieta
Abelardo e Heloísa
Jorge Amado e Zélia Gattai
Roberto Carlos e Maria Rita
Maria Gabriela e Augusto
Eduardo Lourenço e Annie
e outros "gêmeos astrais"
terça-feira, junho 10, 2008
Post 366*
Coisas de criança 23 - o arco-íris da praia
Ontem foi dia de praia. O pai e a menina foram de Metro e saíram em Matosinhos Sul. Acomodaram-se perto do mar, com a praia ainda vazia, e deixaram o vento baloiçar as cores do guarda-sol enquanto faziam castelos de areia. Algumas nuvens corriam no céu azul, criando sombras rápidas sobre as pequenas dunas mornas. A menina estava tão contente que não sabia por onde começar e mesmo com os moldes exatos para fazer um polvo violeta, um pato amarelo, um barco verde e uma estrela do mar vermelha, preferiu voltar à calçada, perto do bar, onde já lá estavam outras crianças a brincar numa casa em plástico. Experimentou todos os brinquedos, comeu bolachas, bebeu água até que chegou a hora de voltar para preparar o almoço. No caminho de volta quis segurar o guarda-sol com os dois braços, como se abraçasse todas as cores do arco-íris.
domingo, junho 08, 2008
Comentário ao post da fadinha-cozinheira
A pérola que o meu irmão me deu

Claro que é o melhor doce caseiro do mundo. Há pequeninas fadas-cozinheiras que conseguem transformar tudo em alimentos e estes, uma vez preparados, são trazidos nas mãos em forma de concha. Quem os come fica imediatamente feliz e agradece ao Mundo a possibilidade de ter por perto tão perfeita criatura.
terça-feira, junho 03, 2008
Coisas de criança 22 - a nossa casa
O que a madrinha lhe havia criado com os individuais de plástico, imaginando um telhado entre as duas, agora a menina redescobria numa outra casa em que até conseguia entrar. O pai rearrumou todo o quarto, e conseguiu um espaço para montá-la. Após colher as maçãs, tratou de fazer a sua especialidade, tirando de algum lugar, provavelmente de um armário, uma panela que lhe permitisse cozê-las em lume brando. O doce era feito à gosto, apurando com o tempo de cozedura. O pai divertia-se com a alegria contagiante da menina. Quando ficou pronto, a menina estendeu a mão pela porta e disse:
- Prova, papá.
Aquele era o melhor doce caseiro do mundo.

