Ele era manso, bondoso, humilde, gentil. Até demais. Por isso foi cognominado o "santo" pelos que viviam próximos. Mas no nosso mundo não há muito lugar para os excessivamente mansos e bondosos. Não, não era ele o inadequado: este nosso mundo é que não foi /é capaz de acolher seres assim. Por isso também alguns dos que deveriam amá-lo tornaram-lhe terrivelmente amargos os últimos anos. A ponto de fazê-lo revoltar-se e protestar em voz alta.
O Senhor José partiu ontem. Os que muito o amavam choram pelas oportunidades de felicidade desperdiçadas, pelo que poderia ter sido e não foi, pelo amor que ele distribuiu e tão pouco colheu.
Lembro do poema de Manuel Bandeira e imagino o Senhor José entrando no céu. Chega respeitoso, chapéu nas mãos, cabeça baixa, corpo ligeiramente curvado. Murmura com voz tímida, quase imperceptível, como quem não quer incomodar ou pensa que não é digno de ali entrar :
- Licença, meu Santo.
E São Pedro, bonachão, abre a porta de par em par e estende os braços para recebê-lo:
-Entra, José! Você não precisa pedir licença.
Um blogue escrito por três pares de mãos separados por águas atlânticas. Uma viagem com escalas no Rio de Janeiro, em Londres e Senhora da Hora.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
quinta-feira, janeiro 22, 2009
O Rio de Janeiro em dia de chuva forte ou o caos urbano
Ruas alagadas. Águas cobrindo as calçadas. Vias de comunicação entre a Zona Norte e a Zona Zul interrompidas durante horas. Carros enguiçados. Pedestres ensopados tentando ir a pé para casa. Alguns arregaçando inutilmente as calças e arriscando-se nas poças e lagoas. Outros, mais ágeis, avançando como símios, agarrados às grades e muros. Passageiros presos nos ônibus e carros, procurando manter a calma. Pequenas multidões aguardando em vão nos pontos a chegada dos coletivos.
Durante mais de cinco horas - o tempo que levamos entre Madureira (Zona Norte) e Copacabana (Zona Sul) - não vimos nenhuma ação concreta das autoridades, no sentido de atenuar minimamente o caos urbano e auxiliar os milhares de "ilhados" , penando com fome, sede, cansaço, urgência de ir ao banheiro ... e ainda por cima com muito medo de serem alvo fácil dos "arrastões" (assaltos em série)...
(Pergunta: se, como é do conhecimento geral, são mais do que previstas as chuvas de verão, por que nós - os administradores e a população desta Cidade - não agimos preventivamente, cuidando do bom funcionamento dos bueiros? Por que continuamos inconseqüentemente a atirar lixo - inclusive os terríveis plásticos, que via de regra impedem o escoamento das águas, como pude constatar ao longo do penoso trajeto? )
Durante mais de cinco horas - o tempo que levamos entre Madureira (Zona Norte) e Copacabana (Zona Sul) - não vimos nenhuma ação concreta das autoridades, no sentido de atenuar minimamente o caos urbano e auxiliar os milhares de "ilhados" , penando com fome, sede, cansaço, urgência de ir ao banheiro ... e ainda por cima com muito medo de serem alvo fácil dos "arrastões" (assaltos em série)...
(Pergunta: se, como é do conhecimento geral, são mais do que previstas as chuvas de verão, por que nós - os administradores e a população desta Cidade - não agimos preventivamente, cuidando do bom funcionamento dos bueiros? Por que continuamos inconseqüentemente a atirar lixo - inclusive os terríveis plásticos, que via de regra impedem o escoamento das águas, como pude constatar ao longo do penoso trajeto? )
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Paixão Segundo São Mateus, de J. S. Bach
Ouço a Paixão Segundo São Mateus, de J. S. Bach*. Um exemplo perfeito de perfeição a que pode chegar a arte musical.
(*http://www.youtube.com/watch?v=475pqwwbZ1w)
(*http://www.youtube.com/watch?v=475pqwwbZ1w)
segunda-feira, janeiro 12, 2009
O que devo dizer ao menininho?
O menininho está na fase dos "porquês". Agora que finalmente conheceu a minha filha (só deu tempo de estar com ela uma vez , mas pareciam velhos amigos!), não entende por que ela partiu. Até porque ele não a viu partir - a família dele passou fora as festas de fim-de-ano.
Quando me vê, de vez em quando se lembra e pergunta:
- Titia, por que a A* foi embora?
- Por que ela foi para a casa dela. Ela precisa voltar a estudar - respondo.
- Por que?
- Porque ela mora muito muito longe (lembrei-me do reino de Shrek), num lugar tão longe, que até precisa ir de avião.
- Por que?
Penso que as minhas respostas não são muito convincentes ou esclarecedoras: no dia seguinte, o diálogo se repete.
Hoje, enquanto a mamãe lavava o bumbum dele no tanque, ele perguntou-me novamente:
- Por que a A* foi embora?
Na hora só me ocorreu dizer:
- Porque ela morava com a titia em pequena, mas agora já cresceu... e quando as pessoas crescem vão morar nas suas próprias casinhas. Mas ela vai voltar no próximo Papai Noel (é assim que ele entende o Natal), quando você tiver 4 anos.
Ele envolveu o pescoço da mãe e disse-lhe:
- Eu não quero ir para outra casa!
Quando me vê, de vez em quando se lembra e pergunta:
- Titia, por que a A* foi embora?
- Por que ela foi para a casa dela. Ela precisa voltar a estudar - respondo.
- Por que?
- Porque ela mora muito muito longe (lembrei-me do reino de Shrek), num lugar tão longe, que até precisa ir de avião.
- Por que?
Penso que as minhas respostas não são muito convincentes ou esclarecedoras: no dia seguinte, o diálogo se repete.
Hoje, enquanto a mamãe lavava o bumbum dele no tanque, ele perguntou-me novamente:
- Por que a A* foi embora?
Na hora só me ocorreu dizer:
- Porque ela morava com a titia em pequena, mas agora já cresceu... e quando as pessoas crescem vão morar nas suas próprias casinhas. Mas ela vai voltar no próximo Papai Noel (é assim que ele entende o Natal), quando você tiver 4 anos.
Ele envolveu o pescoço da mãe e disse-lhe:
- Eu não quero ir para outra casa!
quinta-feira, janeiro 08, 2009
O despropósito da morte
O meu amigo Luc escreveu-me anteontem. Eu já sabia, antes mesmo de abrir a mensagem, que não havia ali boas notícias. O seu pai foi enterrado anteontem. Senti-me triste e inútil diante do sofrimento de Luc e Ann. Guardarei deste senhor (que nunca conheci pessoalmente) as imagens com histórias dentro que Luc me enviou ao longo dos últimos anos.
A imagem acima foi captada num quarto de hospital, quando a doença ainda não se imaginava fatal, talvez há dois anos, ou até menos. Acredito que sejam bolhas de oxigénio comprimidas um aparelho terapêutico qualquer. Gosto de pensar que o pai de Luc, tal como nós - eu e a pessoa que me lê agora, todos nós -, permanecerá no carrossel da vida assim mesmo: como bolhas de oxigénio, moléculas cheias de carbono ou átomos dispersos no húmus.
A imagem acima foi captada num quarto de hospital, quando a doença ainda não se imaginava fatal, talvez há dois anos, ou até menos. Acredito que sejam bolhas de oxigénio comprimidas um aparelho terapêutico qualquer. Gosto de pensar que o pai de Luc, tal como nós - eu e a pessoa que me lê agora, todos nós -, permanecerá no carrossel da vida assim mesmo: como bolhas de oxigénio, moléculas cheias de carbono ou átomos dispersos no húmus.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Entre o Rio e Niterói, o olhar do arquiteto e do cinegrafista
Irritada com a sujeira que o meu visitante indesejado espalha pela casa, pensei escrever hoje sobre morcegos urbanos.
Felizmente antes abri a mensagem de uma amiga, com um belo vídeo em que um disco voador sobrevoa as belezas do Rio de Janeiro e pousa em Niterói. (Esse era precisamente um dos lugares que eu e minha filha planejamos visitar juntas - desejo que não pudemos realizar, por várias razões.)
Acolho esse presente. E ofereço-o a minha filha e a quem mais apreciar as belezas do Rio e das formas de Niemeyer, magnificamente homenageado neste vídeo simples e genial.
terça-feira, janeiro 06, 2009
Uma passagem de ano em forma de beijo dado mais tarde
Choro, choro convulsivamente, numa mistura indestrinçável de sentimentos, por assistir agora ao espetáculo dos fogos que sonhamos ver juntos, mas confortada e feliz por saber que os olhos de minha filha e do seu amado viram que não pude/pudemos ver; por estar/estarmos num quarto de Hospital nessa mesma linda Copacabana, tão perto deles e ao mesmo tempo tão longe; por agora poder asssistir a estas imagens postadas no Bordado Inglês* e pensar que aqui estou a vê-las, no lugar quente do espetáculo, pensando afetuosa e saudosamente em ambos, agora já de regresso ao país tão frio.
Recebo estas imagens e enxugo estas lágrimas como batismo de alegria. Em forma de beijo dado mais tarde, mas a tempo...
Hoje vesti roupa branca logo de manhã. Em breve prepararei bacalhau e assarei castanhas no forno. Eu e meu amor abriremos uma garrafa pequena de champagne, com autorização médica. Enfim festejaremos a Passagem de Ano, agradecendo a recuperação da saúde. E se a chuva abrandar, iremos molhar os pés nas águas do mar, como habitualmente fazemos no primeiro dia do Ano. Será um autêntico Dia de Reis.
(*http://bordadoingles.blogspot.com/2009/01/feliz-ano-novo.html)
Recebo estas imagens e enxugo estas lágrimas como batismo de alegria. Em forma de beijo dado mais tarde, mas a tempo...
Hoje vesti roupa branca logo de manhã. Em breve prepararei bacalhau e assarei castanhas no forno. Eu e meu amor abriremos uma garrafa pequena de champagne, com autorização médica. Enfim festejaremos a Passagem de Ano, agradecendo a recuperação da saúde. E se a chuva abrandar, iremos molhar os pés nas águas do mar, como habitualmente fazemos no primeiro dia do Ano. Será um autêntico Dia de Reis.
(*http://bordadoingles.blogspot.com/2009/01/feliz-ano-novo.html)
domingo, janeiro 04, 2009
Um Ano Novo atípico


Fazemos muitos planos, sobretudo na passagem de Ano. Mas por vezes a vida se encarrega de mudá-los. Cabe a nós transformar os imprevistos em novas possibilidades de alegria. Como a que nos foi dada a experienciar, num quarto de Hospital Copa d'Or, cercados de cuidados médicos* e do apoio dos filhos e amigos.
Esta a imagem de uma ceia frugal, diet, preparada com extrema delicadeza pela equipe responsável pela nutrição* e servida ao nosso paciente amado com muito afeto.
No Dia de Reis compensaremos, com vinho e bacalhau. Mas esta será sem dúvida uma passagem de Ano inesquecível, pelo dádiva de amor que de todos recebemos...
(* A toda equipe do Copa d'Or, o nosso agradecimento)
sexta-feira, dezembro 26, 2008
Um Natal de alegria
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Parada Iluminada
Foi deceptivo assistir à Parada Iluminada dia 20 de Dezembro, na Avenida Atlântica. Não basta uma sucessão de carros alegóricos para fazer um bom desfile. Os componentes se esforçaram, mas faltava organicidade, coerência e, sobretudo, criatividade.
O patrocinador (uma poderosa empresa de refrigerantes) bem poderia investir em boas idéias. Têm muitos recursos para isso. E há muitos talentos à espera de oportunidade.
O patrocinador (uma poderosa empresa de refrigerantes) bem poderia investir em boas idéias. Têm muitos recursos para isso. E há muitos talentos à espera de oportunidade.
quinta-feira, dezembro 18, 2008
Como descrever a ausência?
Um amigo meu, de nacionalidade belga, está prestes a perder o pai. Escreve-me com regularidade e conta em imagens a floresta escura que está a atravessar. Ele esforça-se para ver com tranquilidade esta travessia. A imagem acima, por exemplo, é o resultado no reflexo do sol nas paredes do quarto hospitalar. Eu gosto desta imagem - é a imagem mental que tenho deste senhor que nunca vi, construída a partir de uma foto que a magnífica Ann (a mulher do meu amigo) me mostrou quando estivemos todos juntos na Casa da Música no Porto. Na fotografia, o pai estava deitado na relva, com os olhos (já cegos) cerrados, a sorrir para o sol.
Na semana passada, o pai já não comia. Dependia do soro e aceitava de bom grado raros prazeres - como um gole de coca-cola.
Pede sempre para que os filhos comemorem a sua partida. É sinal de que ele passou por aqui. E de que foi amado. E de que viu paisagens bonitas - o pai de Luc adorava pintar, e só deixou de fazê-lo quando perdeu acuidade visual.
Continuou a amar as imagens mentais. Pintar com o cérebro.
LUC DE SMETTalvez haja agora, na sua mente, um lago com plantas flutuantes como as de Monet em Giverny.
Seis anos sem ti
Pai, partiste há seis anos. Fazes-me falta, muita falta.
Hoje faz seis anos que o meu avô partiu.
(Como descrever a ausência?)
( Uma imagem descreverá melhor o não-estar de alguém no sítio a que sempre pertenceu?)
******
Hoje faz seis anos que o meu avô partiu.
(Como descrever a ausência?)
( Uma imagem descreverá melhor o não-estar de alguém no sítio a que sempre pertenceu?)
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Os dias deram em chuvosos...
Chove no Rio de Janeiro. Temperatura máxima: 23º. Não parece Dezembro. Nao parece que falta pouco para o Verão começar oficialmente.Bom para quem, como eu, gosta de temperaturas amenas. Seria maravilhoso se a temperatura ficasse assim, mas que o Sol desse o ar de sua graça. Há visitantes chegando com grande ânsia de aproveitar a praia...
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Em breve, muitos abraços
Do lado de cá e do lado de lá do cais estamos em contagem regressiva. Faltam apenas 7 dias para o reencontro. O cais enfim unirá as duas margens. Grande é alegria da espera. Mas bem maior será a do momento dos abraços. Xiiiiiiiiiiiiiii-coração!
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Com histórias e com afeto
Guardo num canto especial do meu coração uma cena de rara beleza a que asssiti neste último fim-de-semana. Foi tão intensa e serena, com a simplicidade das coisas belas e justas, que precisei de uns dias para escrever sobre ela:
Deste lado do cais, contemplávamos com olhar embevecido, transbordante de ternura, nosso filho a ler histórias para a filha adormecer. Ela, apesar de já meio sonolenta, com a cabeça recostada no sofá e os pezinhos apoiados no colo do pai, acompanhava atentamente a leitura. Ele lia-lhe compenetrado o texto, seguindo fielmente a palavra escrita.
Provavelmente o sentido de muitas palavras escapavam à menina, mas ela seguia o fio do afeto que lhe oferecia a doçura da voz paterna. De vez em quando, ela o interrompia com algum comentário ou para ver a ilustração. Ele prontamente a atendia. E logo retomavam a leitura.
Ficamos algum tempo a observá-los, aguardando o final da história (O Gato de Botas, que acabáramos de enviar por um portador). Deitamo-nos com essa linda imagem do amor de ler.
Deste lado do cais, contemplávamos com olhar embevecido, transbordante de ternura, nosso filho a ler histórias para a filha adormecer. Ela, apesar de já meio sonolenta, com a cabeça recostada no sofá e os pezinhos apoiados no colo do pai, acompanhava atentamente a leitura. Ele lia-lhe compenetrado o texto, seguindo fielmente a palavra escrita.
Provavelmente o sentido de muitas palavras escapavam à menina, mas ela seguia o fio do afeto que lhe oferecia a doçura da voz paterna. De vez em quando, ela o interrompia com algum comentário ou para ver a ilustração. Ele prontamente a atendia. E logo retomavam a leitura.
Ficamos algum tempo a observá-los, aguardando o final da história (O Gato de Botas, que acabáramos de enviar por um portador). Deitamo-nos com essa linda imagem do amor de ler.
terça-feira, dezembro 09, 2008
Sementes de rosmaninho 5
A pós a seqüência de dias chuvosos, afinal veio o sol.
No vaso, crescem dois pés de rosmaninhos e dois de ervas daninhas.
Agora não é difícil distingui-los: os das ervas daninhas crescem mais depressa e com mais vigor.
Decidi não arrancá-los.
É o meu tributo ao jardim do pensamento de Maria Gabriela.
No vaso, crescem dois pés de rosmaninhos e dois de ervas daninhas.
Agora não é difícil distingui-los: os das ervas daninhas crescem mais depressa e com mais vigor.
Decidi não arrancá-los.
É o meu tributo ao jardim do pensamento de Maria Gabriela.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Hoje é dia de alegria
Hoje à tardinha vou pegar meu neto do coração na creche! Passarei todo o dia em contagem regressiva. Sei que quando chegar essa hora, virá tranqüilamente comigo. Que entrará em minha casa como se estivesse na dele. Que pedirá chazinho e pão, e que eu, com muita pena, terei que adiar esse pedido, para não atrapalhar o apetite dele para o jantar. Que desejará ver desenhos na TV, mas logo mudará de atividade. Que percorrerá os lugares conhecidos da casa, a conferir se tudo está como da úlltima vez. E que perguntará "o que é isso?", a cada coisa nova que encontrar.
sábado, dezembro 06, 2008
Edificando a cura
O diagnóstico confirmou o que, no fundo, há muito já sabia. Decidida a edificar a cura, ou pelo menos a controlar a doença, juntamente com a medicação para o quadro depressivo, agarro-me ao que me traz alegria no cotidiano:
- ser chamada e visitada pelo meu netinho do coração (sempre tenho e terei tempo para ele);
-olhar diariamente se as sementes de rosmaninho conseguiram sobreviver às bicadas dos pássaros (algumas resistem...);
-pôr água nas plantinhas da varanda;
- caminhar à tardinha com o meu amor na orla de Copacabana ;
- dedicar as manhãs escrever um pouco no computador;
- verificar, antes de dedicar-me à produção de textos, se há mails enviados pelos filhos;
- ver de 15 em 15 dias a minha netinha (e o meu filho) na web cam;
- assistir (quase) todos os sábados aos filmes da Sessão do porfessor;
- de vez em quando escrever neste blogue;
-tecer o cachecol para a minha filha;
- etc.
Sinto que já seguro os bordos. E que o poço não é tão fundo...
- ser chamada e visitada pelo meu netinho do coração (sempre tenho e terei tempo para ele);
-olhar diariamente se as sementes de rosmaninho conseguiram sobreviver às bicadas dos pássaros (algumas resistem...);
-pôr água nas plantinhas da varanda;
- caminhar à tardinha com o meu amor na orla de Copacabana ;
- dedicar as manhãs escrever um pouco no computador;
- verificar, antes de dedicar-me à produção de textos, se há mails enviados pelos filhos;
- ver de 15 em 15 dias a minha netinha (e o meu filho) na web cam;
- assistir (quase) todos os sábados aos filmes da Sessão do porfessor;
- de vez em quando escrever neste blogue;
-tecer o cachecol para a minha filha;
- etc.
Sinto que já seguro os bordos. E que o poço não é tão fundo...
sexta-feira, novembro 28, 2008
Sementes de rosmaninho 4
Os passarinhos fizeram a festa no meu herbário: bicaram e despedaçaram as mudinhas-bebês. Fiquei triste, mas depois pensei que o herbário estava ali, convidativo a bicos e olhares, e desfiz-me do sentimento de posse.
Não entendo muito de sementeiras, mas talvez seja um indicativo de que as sementes que germinaram eram mesmo de rosmaninho...
Há dois ou três dias surgiram novos tênues filamentos verdes. Hesito se devo recorrer à engenhosidade dos espantalhos, para que possam crescer sob meus olhos, ou deixá-los disponíveis a bicos desejosos...
quarta-feira, novembro 26, 2008
"Manhã-Llansol"
Teve a serenidade da vibração, como diria Maria Gabriela Llansol, a sessão "Onde vais, drama-poesia?" , realizada ontem, no Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro (Diálogos sobre Poesia Portugesa , 3º Encontro de Pesquisadores).
Foi uma "manhã-Llansol"* tão intensa, que precisei de algum tempo para me recompor. Transbordava de plenitude. Decidi não almoçar com os participantes, mas levei comigo a sensação de estar com eles e com ela à mesma mesa.
(* a expressão é de Jorge Fernandes da Silveira, e compõe a bela dedicatória do livro que ele me ofereceu nessa manhã - Uma hora por dia, de Maria Helena Azevedo, 7 Letras, 2008).
Subscrever:
Mensagens (Atom)




