sexta-feira, março 13, 2009

Um susto

Ontem à noite meu neto do coração levou e deu-nos um grande susto.
Quando brincava com a irmã, bateu a porta com força e ficou preso dentro do próprio quarto.
Foi um momento de tensão, pois ele chorava aflito para sair.
Com muito jeito, a maravilhosa empregada explicou-lhe com calma para ele tentar girar a chave.
De repente, o menininho conseguiu.
Ufa!

terça-feira, março 03, 2009

Maria Gabriela Llansol - um ano de ausência

Querida amiga,
tenho nas mãos o conforto dos teus livros e no coração uma imensa saudade. Amanhã postarei um trecho de um deles. Hoje é tempo de ler e pensar.

Ontem mandamos rezar a Missa da Luz por um ano de tua partida. Coincidiu com a Missa de Mês pelo bondoso Senhor José, pai e sogro querido.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Um voo antes do tempo

Hoje um filhotinho de passarinho chocou-se contra a vidraça do nosso quarto. Caiu atônito na varanda, quase desfalecido. Fiquei paralisada de impotência e cheia compaixão. Como ajudá-lo? Tentar pegá-lo e pô-lo perto de um galho? E se caísse ao pousá-lo (desta vez do terceiro andar!)?

Encoberta pela cortina para não assustá-lo ainda mais, esperei ansiosamente que se reanimasse . Arrastou-se com esforço até um vaso de plantas, eriçou a penugem, mas não conseguiu alçar nem um pequeno voo.

Um outro pássaro, suponho que a mãe, piava aflito (assim interpretei) na amendoeira. Do lado de cá, de vez em quando o pequenino ferido respondia.

Quando chegou a hora da nossa caminhada, meu marido e eu decidimos deixá-lo tentar sozinho mais um pouco, sem a nossa intervenção, para que não se ferisse ainda mais. Não fomos sequer pegar nossos tênis na varanda: fui de sandálias e fiz uma bolha no pé. Ao regressarmos, se ainda estivesse na varanda, encontraríamos uma solução.

Na volta, quando viu-me a olhar para o alto da árvore, o porteiro disse que havia caído um filhote do ninho. Outro, pensei? Não, não era outro, era o "nosso" que havia conseguido voar até o parapeito, mas não conseguiu sustentar o voo. Vendo a minha aflição, o porteiro tentou consolar-me, dizendo: ele vai ficar bem, eu o peguei e soltei no jardim aqui do lado.

A mãe ainda continuou piando até escurecer. Oxalá o pequenino consiga sobreviver, mesmo tão prematuro e sem ninho.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

A menina que ama os livros


Ela gosta de ler.
Como a vovó, que lhe mandou este livro.
E agora a contempla a ler, deste lado do cais.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Missa da Luz pelo querido senhor José

Na segunda-feira, dia 2 de fevereiro, comemorou-se o dia da Apresentação de Jesus ao Templo (quarenta dias após o Natal). A paróquia da Ressurreição, no Posto Seis, estava repleta. Na entrada, os fiéis recebiam uma vela. Um pouco antes do início da Missa, todas foram acesas. Enquanto a voz de Maria Betânia (gravação) cantava "Ave Maria", o Padre José Roberto percorria um a um os bancos, aspergindo água benta.
Na homilia, o Padre Roberto destacou o papel de Maria e José, ao cumprirem rigorosamente a lei do seu tempo. Pensei com carinho e reconhecimento no querido senhor José, em como ele foi um excelente pai durante toda a sua existência, cumprindo de forma irretocável a sua missão de amar os filhos.
No momento da comunhão, soou pelo templo a belíssima composição de Bach e Gonoud (embora seja mais conhecida apenas como de Gonoud) - a que mais me toca o coração e eleva o meu espírito.
As velas, apagadas durante o ofício, foram novamente acesas quase no final. Na saída, muitos amigos - muitos mesmo, bem mais do que poderíamos esperar, sobretudo considerando que era um dia de semana - vieram nos abraçar e nos confortar.
Foi a mais comovente Missa da Luz a que assisti. O Senhor José merecia, por ter sido um pai e um ser humano maravilhoso. Não deve ter sido simples coincidência que a sua Missa de sétimo dia tenha sido rezada justamente numa data tão significativa.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

O Senhor José no céu

Ele era manso, bondoso, humilde, gentil. Até demais. Por isso foi cognominado o "santo" pelos que viviam próximos. Mas no nosso mundo não há muito lugar para os excessivamente mansos e bondosos. Não, não era ele o inadequado: este nosso mundo é que não foi /é capaz de acolher seres assim. Por isso também alguns dos que deveriam amá-lo tornaram-lhe terrivelmente amargos os últimos anos. A ponto de fazê-lo revoltar-se e protestar em voz alta.

O Senhor José partiu ontem. Os que muito o amavam choram pelas oportunidades de felicidade desperdiçadas, pelo que poderia ter sido e não foi, pelo amor que ele distribuiu e tão pouco colheu.

Lembro do poema de Manuel Bandeira e imagino o Senhor José entrando no céu. Chega respeitoso, chapéu nas mãos, cabeça baixa, corpo ligeiramente curvado. Murmura com voz tímida, quase imperceptível, como quem não quer incomodar ou pensa que não é digno de ali entrar :
- Licença, meu Santo.
E São Pedro, bonachão, abre a porta de par em par e estende os braços para recebê-lo:
-Entra, José! Você não precisa pedir licença.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

O Rio de Janeiro em dia de chuva forte ou o caos urbano

Ruas alagadas. Águas cobrindo as calçadas. Vias de comunicação entre a Zona Norte e a Zona Zul interrompidas durante horas. Carros enguiçados. Pedestres ensopados tentando ir a pé para casa. Alguns arregaçando inutilmente as calças e arriscando-se nas poças e lagoas. Outros, mais ágeis, avançando como símios, agarrados às grades e muros. Passageiros presos nos ônibus e carros, procurando manter a calma. Pequenas multidões aguardando em vão nos pontos a chegada dos coletivos.

Durante mais de cinco horas - o tempo que levamos entre Madureira (Zona Norte) e Copacabana (Zona Sul) - não vimos nenhuma ação concreta das autoridades, no sentido de atenuar minimamente o caos urbano e auxiliar os milhares de "ilhados" , penando com fome, sede, cansaço, urgência de ir ao banheiro ... e ainda por cima com muito medo de serem alvo fácil dos "arrastões" (assaltos em série)...

(Pergunta: se, como é do conhecimento geral, são mais do que previstas as chuvas de verão, por que nós - os administradores e a população desta Cidade - não agimos preventivamente, cuidando do bom funcionamento dos bueiros? Por que continuamos inconseqüentemente a atirar lixo - inclusive os terríveis plásticos, que via de regra impedem o escoamento das águas, como pude constatar ao longo do penoso trajeto? )

quinta-feira, janeiro 15, 2009

segunda-feira, janeiro 12, 2009

O que devo dizer ao menininho?

O menininho está na fase dos "porquês". Agora que finalmente conheceu a minha filha (só deu tempo de estar com ela uma vez , mas pareciam velhos amigos!), não entende por que ela partiu. Até porque ele não a viu partir - a família dele passou fora as festas de fim-de-ano.
Quando me vê, de vez em quando se lembra e pergunta:
- Titia, por que a A* foi embora?
- Por que ela foi para a casa dela. Ela precisa voltar a estudar - respondo.
- Por que?
- Porque ela mora muito muito longe (lembrei-me do reino de Shrek), num lugar tão longe, que até precisa ir de avião.
- Por que?
Penso que as minhas respostas não são muito convincentes ou esclarecedoras: no dia seguinte, o diálogo se repete.
Hoje, enquanto a mamãe lavava o bumbum dele no tanque, ele perguntou-me novamente:
- Por que a A* foi embora?
Na hora só me ocorreu dizer:
- Porque ela morava com a titia em pequena, mas agora já cresceu... e quando as pessoas crescem vão morar nas suas próprias casinhas. Mas ela vai voltar no próximo Papai Noel (é assim que ele entende o Natal), quando você tiver 4 anos.
Ele envolveu o pescoço da mãe e disse-lhe:
- Eu não quero ir para outra casa!

quinta-feira, janeiro 08, 2009

O despropósito da morte

LUC DE SMET

O meu amigo Luc escreveu-me anteontem. Eu já sabia, antes mesmo de abrir a mensagem, que não havia ali boas notícias. O seu pai foi enterrado anteontem. Senti-me triste e inútil diante do sofrimento de Luc e Ann. Guardarei deste senhor (que nunca conheci pessoalmente) as imagens com histórias dentro que Luc me enviou ao longo dos últimos anos.
A imagem acima foi captada num quarto de hospital, quando a doença ainda não se imaginava fatal, talvez há dois anos, ou até menos. Acredito que sejam bolhas de oxigénio comprimidas um aparelho terapêutico qualquer. Gosto de pensar que o pai de Luc, tal como nós - eu e a pessoa que me lê agora, todos nós -, permanecerá no carrossel da vida assim mesmo: como bolhas de oxigénio, moléculas cheias de carbono ou átomos dispersos no húmus.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Entre o Rio e Niterói, o olhar do arquiteto e do cinegrafista

Irritada com a sujeira que o meu visitante indesejado espalha pela casa, pensei escrever hoje sobre morcegos urbanos.
Felizmente antes abri a mensagem de uma amiga, com um belo vídeo em que um disco voador sobrevoa as belezas do Rio de Janeiro e pousa em Niterói. (Esse era precisamente um dos lugares que eu e minha filha planejamos visitar juntas - desejo que não pudemos realizar, por várias razões.)
Acolho esse presente. E ofereço-o a minha filha e a quem mais apreciar as belezas do Rio e das formas de Niemeyer, magnificamente homenageado neste vídeo simples e genial.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Uma passagem de ano em forma de beijo dado mais tarde

Choro, choro convulsivamente, numa mistura indestrinçável de sentimentos, por assistir agora ao espetáculo dos fogos que sonhamos ver juntos, mas confortada e feliz por saber que os olhos de minha filha e do seu amado viram que não pude/pudemos ver; por estar/estarmos num quarto de Hospital nessa mesma linda Copacabana, tão perto deles e ao mesmo tempo tão longe; por agora poder asssistir a estas imagens postadas no Bordado Inglês* e pensar que aqui estou a vê-las, no lugar quente do espetáculo, pensando afetuosa e saudosamente em ambos, agora já de regresso ao país tão frio.

Recebo estas imagens e enxugo estas lágrimas como batismo de alegria. Em forma de beijo dado mais tarde, mas a tempo...

Hoje vesti roupa branca logo de manhã. Em breve prepararei bacalhau e assarei castanhas no forno. Eu e meu amor abriremos uma garrafa pequena de champagne, com autorização médica. Enfim festejaremos a Passagem de Ano, agradecendo a recuperação da saúde. E se a chuva abrandar, iremos molhar os pés nas águas do mar, como habitualmente fazemos no primeiro dia do Ano. Será um autêntico Dia de Reis.

(*http://bordadoingles.blogspot.com/2009/01/feliz-ano-novo.html)

domingo, janeiro 04, 2009

Um Ano Novo atípico




Fazemos muitos planos, sobretudo na passagem de Ano. Mas por vezes a vida se encarrega de mudá-los. Cabe a nós transformar os imprevistos em novas possibilidades de alegria. Como a que nos foi dada a experienciar, num quarto de Hospital Copa d'Or, cercados de cuidados médicos* e do apoio dos filhos e amigos.


Esta a imagem de uma ceia frugal, diet, preparada com extrema delicadeza pela equipe responsável pela nutrição* e servida ao nosso paciente amado com muito afeto.


No Dia de Reis compensaremos, com vinho e bacalhau. Mas esta será sem dúvida uma passagem de Ano inesquecível, pelo dádiva de amor que de todos recebemos...
(* A toda equipe do Copa d'Or, o nosso agradecimento)

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Um Natal de alegria


Este foi e está sendo um Natal de muita alegria. E é este sentimento que eu gostaria de oferecer para quem dele precisar.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Parada Iluminada

Foi deceptivo assistir à Parada Iluminada dia 20 de Dezembro, na Avenida Atlântica. Não basta uma sucessão de carros alegóricos para fazer um bom desfile. Os componentes se esforçaram, mas faltava organicidade, coerência e, sobretudo, criatividade.

O patrocinador (uma poderosa empresa de refrigerantes) bem poderia investir em boas idéias. Têm muitos recursos para isso. E há muitos talentos à espera de oportunidade.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Como descrever a ausência?



LUC DE SMET

Um amigo meu, de nacionalidade belga, está prestes a perder o pai. Escreve-me com regularidade e conta em imagens a floresta escura que está a atravessar. Ele esforça-se para ver com tranquilidade esta travessia. A imagem acima, por exemplo, é o resultado no reflexo do sol nas paredes do quarto hospitalar. Eu gosto desta imagem - é a imagem mental que tenho deste senhor que nunca vi, construída a partir de uma foto que a magnífica Ann (a mulher do meu amigo) me mostrou quando estivemos todos juntos na Casa da Música no Porto. Na fotografia, o pai estava deitado na relva, com os olhos (já cegos) cerrados, a sorrir para o sol.

LUC DE SMET

Na semana passada, o pai já não comia. Dependia do soro e aceitava de bom grado raros prazeres - como um gole de coca-cola.
Pede sempre para que os filhos comemorem a sua partida. É sinal de que ele passou por aqui. E de que foi amado. E de que viu paisagens bonitas - o pai de Luc adorava pintar, e só deixou de fazê-lo quando perdeu acuidade visual.

LUC DE SMET

Continuou a amar as imagens mentais. Pintar com o cérebro.

LUC DE SMET

Talvez haja agora, na sua mente, um lago com plantas flutuantes como as de Monet em Giverny.

Seis anos sem ti

Pai, partiste há seis anos. Fazes-me falta, muita falta.

******


LUC DE SMET
Hoje faz seis anos que o meu avô partiu.
(Como descrever a ausência?)
( Uma imagem descreverá melhor o não-estar de alguém no sítio a que sempre pertenceu?)

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Os dias deram em chuvosos...

Chove no Rio de Janeiro. Temperatura máxima: 23º. Não parece Dezembro. Nao parece que falta pouco para o Verão começar oficialmente.Bom para quem, como eu, gosta de temperaturas amenas. Seria maravilhoso se a temperatura ficasse assim, mas que o Sol desse o ar de sua graça. Há visitantes chegando com grande ânsia de aproveitar a praia...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Em breve, muitos abraços

Do lado de cá e do lado de lá do cais estamos em contagem regressiva. Faltam apenas 7 dias para o reencontro. O cais enfim unirá as duas margens. Grande é alegria da espera. Mas bem maior será a do momento dos abraços. Xiiiiiiiiiiiiiii-coração!

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Com histórias e com afeto

Guardo num canto especial do meu coração uma cena de rara beleza a que asssiti neste último fim-de-semana. Foi tão intensa e serena, com a simplicidade das coisas belas e justas, que precisei de uns dias para escrever sobre ela:

Deste lado do cais, contemplávamos com olhar embevecido, transbordante de ternura, nosso filho a ler histórias para a filha adormecer. Ela, apesar de já meio sonolenta, com a cabeça recostada no sofá e os pezinhos apoiados no colo do pai, acompanhava atentamente a leitura. Ele lia-lhe compenetrado o texto, seguindo fielmente a palavra escrita.

Provavelmente o sentido de muitas palavras escapavam à menina, mas ela seguia o fio do afeto que lhe oferecia a doçura da voz paterna. De vez em quando, ela o interrompia com algum comentário ou para ver a ilustração. Ele prontamente a atendia. E logo retomavam a leitura.

Ficamos algum tempo a observá-los, aguardando o final da história (O Gato de Botas, que acabáramos de enviar por um portador). Deitamo-nos com essa linda imagem do amor de ler.