terça-feira, junho 22, 2010

Carta-declaração de amor III

Querida netinha,

reorganizando os meus arquivos no computador, encontrei um que me emocionou ao relê-lo.
Intitula-se "Diário de uma futura vovó".
Decidi transcrever nesta carta-diário de hoje o primeiro fragmento deste Diário.
Ele inscreve a alegria passada-presente-futura de um outro "hoje".
Pré-história de uma história de amor que se projeta no por vir:

14/01/2005

Tomei conhecimento de que você ia chegar. A notícia trouxe-nos uma alegria sem nome.

segunda-feira, junho 21, 2010

Carta-declaração de amor II

Querida neta-Sininho,

vovó sonha com a ideia de que em breve você já saberá ler e escrever.
Então poderá ser o quarto par de mãos a escrever neste blog.
Mas a vovó sonha mais ainda.
Sonha com o momento em que nossas mãos não estejam "separadas por águas do Atlântico".
Então este blog talvez precise mudar de nome.
Terá um nome que não seja um cais de saudades.
Não haverá tristeza de partidas e alegrias de chegadas.
E, entre elas, longas ausências.
Será só um cais de encontros.
Um cais de encontros alegres e cotidianos.
Vovó sonha que este sonho não seja um sonho vão.
Enquanto isso, vovó vai escrevendo a saudade.
E pensando nas histórias que você gosta de ouvir.
Como a do Capitão Gancho, Peter Pan, Wendy e Sininho...

domingo, junho 20, 2010

Carta-declaração de amor I

Minha pequena flor,

ontem mandei um post com um filme para você, baseado no livro A maior flor do mundo, de José Saramago.
Sabe, a vovó estava meio tristinha por este escritor ter partido.
Ele esteve intensamente presente na vida da vovó e de muitas pessoas que gostam de ler.
Vovó lembrou da época em que escreveu sua Dissertação de Mestrado (1988) sobre os romances de José Saramago, Mulheres em tempo gerúndio, e dedicou-a ao seu papai, à sua tia-madrinha, ao seu vovô, aos seus bisavós, enfim, às pessoas que mais amava (e ama) no mundo.
Não incluí você na dedicatória, porque seu papai ainda era ainda um jovem de dezessete anos e você ainda não existia... Então, como o meu pensamento ontem estava com José Saramago e também estava (e sempre estará) com você, decidi enviar-lhe esta flor-livro-filme.
Não sei se você já assistiu à historinha.
Sei que você ainda é pequenina e precisa de alguém para mostrar-lhe as mensagens.
Depois você me conta se gostou dela.

com muitas saudades,

da sua vovó do Brasil

segunda-feira, junho 14, 2010

Para alimentar a alma II: "Até pensei"

Até pensei
Chico Buarque, 1968

Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caia
Toda maçã nascia
E o dono do bosque nem via
Do lado de lá tanta aventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade
Morava tão vizinha
Que, de tolo
Até pensei que fosse minha
Junto a mim morava a minha amada
Com olhos claros como o dia
Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia
E a dono dos olhos nem via
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a a enganar nuca me via
Eu andava pobre
Tão pobre de carinho
Que, de tolo
Até pensei que fosse minha
Toda a dor da vida
Me ensinou essa modinha
Que, de tolo
Até pensei que fosse minha

sexta-feira, junho 11, 2010

Soprando dentes-de-leão

O Blogger, a casa virtual que nos hospeda, acabou de disponibilizar novas roupagens para blogues. Não resisti a adoptar o modelo actual, no qual aparecem, no canto superior direito, sementes de dentes-de-leão sendo carregadas pelo vento. É que esta é uma das brincadeiras favoritas da avó e da menina. 

sexta-feira, junho 04, 2010

Uma bela travessia humana

Nossa história é parecida com a de muitos outros imigrantes portugueses: uma vida de lutas, sacrifícios e muita saudade, mas também de imensas alegrias pelos reencontros e por ver que fomos bem sucedidos na educação de nossos filhos, transmitindo-lhes valores fundamentais, hoje infelizmente bastante escassos.

Nossos filhos puderam vivenciar estes valores sobretudo através de exemplos observados no dia-a-dia da convivência familiar.

Conseguimos que não perdessem a ligação com as raízes e com os familiares em Portugal, onde decidiram viver quando ficaram adultos, porém sem deixar de amar e respeitar a terra onde nasceram, o Brasil.

Mas o jardim foi bem cuidado e florescerá viçoso, onde quer que decidam viver.

Quando tentamos fazer uma retrospectiva das nossas vidas, é esta imagem que conforta nas adversidades e projecta sua luz para a primavera que há-de vir.

sexta-feira, maio 21, 2010

Coisas para a vovó fazer com a netinha...

Contar-lhe histórias, conhecidas e novas.
Dar-lhe beijos de borboleta.
Fantasiá-la de fadinha.
Levá-la para tomar banhos de sol com o seu nenuco.
Fazer comidinha de faz-de-conta com os pinhões que caem no chão.
Fazer bolinhos de areia na praia.
Correr com ela até ao mar.
Deixá-la brincar nos balouços do parque infantil até não querer mais.
Andar com ela nos brinquedos do parque de diversões.
Preparar um piquenique com a família na serra ou no parque.
Pegar e soprar ao vento dentes-de-leão.
Alimentar gatinhos e outros animais.
Visitar familiares especiais e lugares preferidos.
Mostrar-lhe novos lugares (e um dia, quem sabe, o país em que nasceu o seu papai e sua madrinha).
Dar-lhe muitos abraços apertados, acompanhados da expressão: Xiiiiiiicoração.
Ir com ela à biblioteca infantil e deixá-la borboletear entre as estantes.
Assistir com ela a filmes como "A Fantástica fábrica de chocolate", que seu papai e sua madrinha tanto "curtiram" na infância e ainda "curtem".
Rolar de rir com ela no sofá, fazendo mil delicadas cócegas.
Deitar na relva, olhar o céu, respirar fundo e pensar como a vida pode ser simples e bonita.

domingo, maio 09, 2010

Três grandes alegrias, três motivos para cantar a beleza da vida

Primeira grande alegria:
Final de 1970. Resultado do exame de gravidez: positivo.
Alegria geral com o anúncio da chegada do primeiro filho, e também o primeiro neto, do lado materno e do lado paterno.
Em 1971, nasceu um menino.

Segunda grande alegria:
Final de 1975. Resultado do exame de gravidez: positivo.
Alegria geral com o anúncio da chegada do segundo filho, após uma perda, muito tratamento e longa espera.
Em 1976, nasceu uma menina.

Terceira grande alegria:
Final de 2004. Anúncio da chegada do primeiro neto, e também o primeiro bisneto, do lado dos quatro avós paternos.
Em 2005, nasceu uma menina, filha do filho.

"É a vida, é bonita
e é bonita..."
(Gonzaguinha)

quinta-feira, maio 06, 2010

Ninho destruído

Hoje de manhã ainda houve uma batalha.
Os dois pássaros confrontaram-se.
Porém o pequeno parecia perceber que não adiantava mais.
O ninho, após tantas investidas, foi desfeito.
Não suportou a retirada de tantos fiapos pelo pássaro maior.
Parte dele escorre, pendurada no galho.
O outro ninho cresce, no alto da amendoeira.

quarta-feira, maio 05, 2010

A disputa continua...

O pássaro pequeno não desiste.
Pia seguidamente quando vê o maior sobre o seu ninho.
Destemido, voa em direção a ele, lutando para preservar o seu espaço.
Consegue fazer o maior sair.
Ufa! Venceu a batalha.
Mas tudo indica que ainda não venceu definitivamente a guerra.

terça-feira, maio 04, 2010

Des-construindo um ninho

Mais um capítulo da disputa pelo ninho no galho da planta da varanda.
O pássaro maior (rola?) não quer exatamente se apropriar do ninho (que julgo ser) do pequenino.
Quer utilizar materiais facilmente disponíveis para fazer o próprio ninho.
Já localizei o novo ninho em construção num galho alto da amendoeira.
Lá fica o outro pássaro (a fêmea?).
E agora acompanho novos voos de idas e vindas do pássaro maior (o macho?).
Difícil é saber se o pássaro que vai e vem é o mesmo ou o outro do casal.
E o pequenino? Insistirá em pôr ovos num ninho tão exposto e já meio desconstruído?

segunda-feira, maio 03, 2010

Disputa de ninho

Ontem houve uma disputa pelo ninho.
Como nada entendo de espécies de aves e respectivos tipos de ninhos, quando desci para caminhar, apontei para o porteiro o ramo de planta que se projeta para fora da minha varanda.
Ele identificou duas espécies voando rápido entre a beirada da varanda e a amendoeira.
Mencionou sanhaço e rola, com jeito de quem conviveu intimamente com pássaros.
O maior entrou no ninho.
O pássaro pequeno seria o sanhaço e o maior a rola?
Não perguntei. Na volta da caminhada consultaria o google.
Mas instintivamente já havia tomado partido.
Desejei, é claro, que o menor ficasse com o ninho.
Por ser menor e por ter sido ele, pelas idas e vindas que vi, o construtor.
Mas não posso interferir.
A natureza seguirá seu curso.
Creio que não verei o nascimento de filhotes.

sábado, maio 01, 2010

Um ninho!

Um pássaro muito pequeno e belo começou a frequentar a minha varanda.
Dias a fio, contemplei-o atrás da vidraça, a levar fiapos e minúsculas folhagens no bico.
Ia e vinha, em direção à grande amendoeira que deita ramos e sombra sobre o meu apartamento.
Pensei: anda a fazer ninho na árvore. Mas onde?
Ontem - surpresa! - descobri onde construiu o ninho.
Extasiada, chamei a filha da vizinha para ver.
Prodígio de engenharia aérea, o ninho balançava num galho.
Sei bem que um passarinho fazer ninho num galho é algo comum na natureza.
Mas não é comum se o galho for de um vaso de plantas de uma varanda de um apartamento de Copacabana!
Agora sei que tenho que ir até lá com cuidado, para não assustá-lo(a).
Temo esquecer e entrar de repente.
Temo que enjeite o ninho e desista de lá pôr os ovos.
Mal posso esperar pelo nascimento dos filhotes...

sábado, abril 17, 2010

85 anos

Hoje farias anos.
Se estivesees conosco, haveria festa.
Continuarias a ser o senhor muito elegante e charmoso que sempre foste.
E sobretudo ainda serias a pessoa maravilhosa que eras.
Assim permaneces na lembrança. Vivo.
Ficaste com uma forte imagem afetivas da minha vida.
Nesta semana, fui assistir ao filme "Chico Xavier".
Pensei muito em ti.
Chico Xavier ensinou sobre as lágrimas pelos que partiram.
Aos poucos espero aprender.

quinta-feira, abril 08, 2010

O gatinho, as árvores, a chuva no Rio

Bairro Peixoto, Copacabana. Duas belas árvores não resistiram às fortes chuvas que caíram sobre o Rio. Tombaram uma sobre a outra, de noite, antes do início da feira livre. Como se não quisessem machucar ninguém.
Dias antes, um gato subira na maior delas e não conseguiu descer. Para alegria da dona, uma operação do corpo de bombeiros conseguiu salvar o gatinho, sob aplausos dos moradores do bairro.
Hoje a árvore maior e a companheira estão reduzidas a troncos e galhos decepados. No lugar delas, um vazio.
Este é apenas um pequeno retrato da tristeza geral diante da enchente que levou muitas vidas e sonhos e destruiu parte da beleza da cidade.
Agora é a hora da solidariedade de todos os que escaparam imunes à destruição.

sábado, abril 03, 2010

Para alimentar a alma I: "Pra dizer adeus"

Pra dizer adeus
Edu Lobo/Torquato Neto

Adeus
Vou pra não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sozinha
Tão sozinha amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Deste meu caminho
Ah! Pena eu não saber

Como te contar
Que o amor foi tanto
E no entanto, eu queria dizer
Vem

Eu só sei dizer
Vem
Nem que seja só
Pra dizer adeus

quarta-feira, março 03, 2010

Aniversário da passagem de Maria Gabriela Llansol

Acordo.
Penso com muito carinho nela.
Abro meus mails.
E recebo esta mensagem do Espaço Llansol.
Em fundo azul, cor preferida, no trabalho sobre o seu próprio luto pelo Amigo:

"Nós e a morte ______são duas transparências que passam uma através da outra"
(Cad.1.09.28)

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Poema-cartão de Natal

Outra mensagem natalina em forma de poema:

Cartão de Natal

João Cabral de Melo Neto

Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:
que desta vez não perca esse cadernos
ua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.