quarta-feira, dezembro 01, 2010

Alcoolismo

Num breve intervalo de minutos ontem de tarde fui confrontada com dois casos de alcoolismo. Pensei muito sobre eles enquanto caminhava.
No primeiro, tomei conhecimento de que um porteiro finge que está limpando com álcool a vidraça da portaria e, quando não há ninguém por perto, toma rapidamente um gole de álcool puro para alimentar o vício!
Logo a seguir, vejo um jovem, também viciado em álcool, aproximar-se de uma macumba, benzer-se e respeitosamente pedir licença para retirar a garrafa de caninha:
- Licença, meu santo, mas estou sem dinheiro...

quinta-feira, novembro 11, 2010

Prestes a nascer


Maio de 1971.
Os futuros papais seguram as alianças dos noivos*.
A jovem gestante mostra orgulhosa a barriguinha de sete meses.
Faltam apenas dois meses para a chegada do primeiro filho.
Mas eles ainda não sabem que terão um menino.


(*Por onde andarão? Os padrinhos nunca mais os reencontraram...)

quarta-feira, novembro 10, 2010

O menino


O menino sorri.
Faz pose, recostado no muro.
Não dá para perceber se já caiu o primeiro dente-de-leite, como o sorriso mais aberto da foto anterior (post de 9 de Novembro) deixa entrever.
A irmãzinha acabara de nascer.

terça-feira, novembro 09, 2010

Uma linda família


O pai tinha 3o anos.
A mãe, 26.
O filho mais velho, 5 anos.
E a menina-bebê entre 4 e 6 meses.
A foto foi tirada num clube português, na Barra da Tijuca.
Era um dia de calor, Verão provavelmente .
O futuro estava aberto.

domingo, novembro 07, 2010

Uma grande mulher

Hoje, enquanto andava com o meu amor pelo calçadão de Copacabana, recebi uma linda declaração de amor:
- Tu és uma grande mulher.
Em seguida, um forte aperto de mão.
Mútuos olhos húmidos.
Ganhei o dia. Não precisava ouvir ou receber mais nada.

"José e Pilar"

Ontem assisti ao documetário "José e Pilar".
Pensei: este homem, José Saramago, antes de conhecer esta mulher, Pilar Del Rio, já havia escrito o desejo de encontrá-la.
Se é verdade que a comunidade humana é um desastre, como afirmou o escritor, é também verdade que ela se redime em histórias de amor como estas - na que ele viveu com Pilar e nas que deu vida em seus romances.

sábado, novembro 06, 2010

Klimt?

O desenho da criança (cf. post de 1 de novembro) cheio de pequeninas figuras geométricas coloridas faz lembrar a pintura de Klimt. Mas decerto ela nunca viu nenhuma pintura deste pintor amado pela madrinha. Afinidades estéticas e afetivas?

terça-feira, novembro 02, 2010

Ao meu sogro José, também pai

Saudades da sua doçura e bondade, da sua ampla e includente forma de amar.
A minha gratidão, por sempre me ter acolhido como filha.

Ao meu pai

Vives em mim intensamente.

"Se estamos falando nele, nasce".

José Saramago

segunda-feira, novembro 01, 2010

As crianças, o desenho, o SOL


1977. Uma criança parece ignorar o exercício de avaliação e entretém-se a desenhar um Sol imenso. Os raios derramam-se entre o cabeçalho e o enunciado das questões, e se prolongam até o fim da primeira página.

A professora encanta-se com o desenho espontâneo da criança mas incentiva-a a terminar a tarefa escolar. A mãe também se encanta e guarda este belo trabalho. Por onde andará? Talvez jamais o encontre entre tantos papeis. Mas sempre saberá como encontrá-lo no lugar onde as coisas nunca se perdem.

2010. Uma criança faz sempre um Sol em seus desenhos cheios de detalhes e de cores. Através da webcan, a avó da criança (mãe da criança da primeira história) assiste a uma cena que a faz lembrar da antiga cena: a criança pede ao pai para escolher qual dos desenhos é o mais bonito. "Os dois são bonitos", responde o pai. A criança oferece ao pai um dos desenhos, recebe um afago de volta e vai brincar.

O pai comenta com a avó que a psicóloga atribui um significado especial à presença deste Sol constante. A avó acrescenta: "Sim, Sol é vida." E depois pensa: "Talvez este desenho também se perca entre os papeis do pai. Mas ele sempre saberá como encontrá-lo".

quinta-feira, outubro 28, 2010

Rede de afetos I - O neto e o avô dos castelos


O menino tinha cerca de 4 ou 5 anos.
Esta foi talvez a sua segunda viagem a Portugal.
Adorava passear de carro com o avô.
Maravilhava-se sobretudo com os castelos.
Nunca se cansava de ver castelos e mais castelos.
De tanto passear com o avô e pedir-lhe para ver castelos, passou a chamá-lo de avô dos castelos.
Talvez também o avô intimamente o chamasse neto dos castelos...

quarta-feira, outubro 27, 2010

Crianças, afetos e bichos

Hoje, no primeiro intervalo da escrita, fui visitar a minha neta do coração, a mãe dela e a nova habitante da casa.
Não é peixe, nem cão, nem gato.
É uma coelha - a coelha Pipoca.
Vive numa gaiola grande na sala, sem sustos diante dos humanos. Por vezes fica solta na varanda.
Volto para a casa contente do breve dedo de prosa trocado com a vizinha, enquanto ela pintava uma caixa de retratos, prenda para a sogra.
Ao retomar a escrita, ouço a conhecida corrida do outro neto do coração pelo corredor.
Ele veio me visitar antes de ir para a creche. Sentiu saudades.
Levou o carrinho do meu filho e deixou um livro de histórias.
Logo mais vamos destrocar.
Oh coisa boa!

sábado, outubro 23, 2010

Calmo Bairro Peixoto, nesta linda Copacabana...

Este é um dos lugares em que meu corpo encontra-se em plena sintonia com o meu espírito.
Amo receber a acolhida calorosa da minha vizinha, guardiã das minhas plantas e da minha correspondência,
e o abraço espontâneo dos meus netos do coração.
Amo rever a generosa arcada verde das árvores da Rua Maestro Francisco Braga,
e os rostos sorridentes de vizinhos e amigos que reencontramos no elevador e na calçada.
Amo ir a pé aos mercados próximos, onde compramos os nossos alimentos. e andar pelo calcadão de vista esplendorosa para o mar.
Tudo isto ajuda a bem regressar.
Sinto falta, é claro, das pessoas amadas que deixei do outro lado do cais,
mas conforta-me (re)encontrar este ponto de coincidência sustentado por tanto calor humano e pela beleza da paisagem.

segunda-feira, julho 05, 2010

Para alimentar a alma III: "Eu sei que vou te amar"

Eu sei que vou te amar

(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será pra te dizer
Que eu sei que vou te amar por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

domingo, julho 04, 2010

Bodas de esmeralda - Renovação de votos

Eu medito hoje, quarenta anos depois:
Sonhei ou vivi este longo-curto tempo?
Maravilho-me com tudo o que se passou
Entre sonho e realidade, entre alegrias (muitas) e alguma (inevitável) dor.
Raros e privilegiados são os amantes que assim contam o tempo,
Amando-se ainda, por causa de e apesar de,
Livres para parar mas escolhendo prosseguir na contagem,
Dias e dias até alcançar os cinquenta anos de ouro (e quem sabe mais...),
Amando-se e respeitando-se, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.

quinta-feira, junho 24, 2010

Carta-declaração de amor V

Querida "cobrinha",

ontem vovó foi numa loja comprar sandálias havainas para você.
Já comprei um par. Cor-de-rosa, claro.
Lá vi chinelos de todos os tamanhos. Algumas eram pequeninas, com elástico para firmar no pé, como as primeiras que você teve.
Você sabia que, quando as suas não serviram mais, seu papai me deu de lembrança? Estão guardadas na arca da casa de Arouca.
Não resisti e comprei outro par de sandálias. Espero que ninguém mais compre sandálias para você...)
Estas não são de praia. São bem diferentes. Lindas! Para passear com a roupa esportiva, de Verão, que vovó está levando na mala para a "cobrinha" muito amada. Muito chique!

quarta-feira, junho 23, 2010

Carta-declaração de amor IV

Querida netinha,

hoje, ao abrir o meu computador, encontrei uma linda e inesperada mensagem da sua madrinha. Era uma foto com o comentário do seu papai sobre a peça de teatro da sua escola.
O que pode parecer banal ou cotidiano para quem vive o dia-a-dia com você, provocou-me uma mistura de sentimentos difícil de destrinçar.
Vou tentar puxar apenas três fios.
1º fio: emocionou-me poder acompanhar, mesmo indiretamente, uma atividade sua na escola. Imagino você representando o seu papel com os colegas. Certamente é a "cobrinha" mais encantadora do mundo!
2º fio: comoveu-me ver a letra do seu papai, no comentário fixado no mural da escola. Lembrei de quando o levava à escola e do processo de alfabetização dele.
3º fio: causou-me imensa alegria a generosa ideia da sua madrinha, ao tirar esta foto e enviar-me. Ela é uma importante tecelã desta rede de afetos.

terça-feira, junho 22, 2010

Carta-declaração de amor III

Querida netinha,

reorganizando os meus arquivos no computador, encontrei um que me emocionou ao relê-lo.
Intitula-se "Diário de uma futura vovó".
Decidi transcrever nesta carta-diário de hoje o primeiro fragmento deste Diário.
Ele inscreve a alegria passada-presente-futura de um outro "hoje".
Pré-história de uma história de amor que se projeta no por vir:

14/01/2005

Tomei conhecimento de que você ia chegar. A notícia trouxe-nos uma alegria sem nome.

segunda-feira, junho 21, 2010

Carta-declaração de amor II

Querida neta-Sininho,

vovó sonha com a ideia de que em breve você já saberá ler e escrever.
Então poderá ser o quarto par de mãos a escrever neste blog.
Mas a vovó sonha mais ainda.
Sonha com o momento em que nossas mãos não estejam "separadas por águas do Atlântico".
Então este blog talvez precise mudar de nome.
Terá um nome que não seja um cais de saudades.
Não haverá tristeza de partidas e alegrias de chegadas.
E, entre elas, longas ausências.
Será só um cais de encontros.
Um cais de encontros alegres e cotidianos.
Vovó sonha que este sonho não seja um sonho vão.
Enquanto isso, vovó vai escrevendo a saudade.
E pensando nas histórias que você gosta de ouvir.
Como a do Capitão Gancho, Peter Pan, Wendy e Sininho...

domingo, junho 20, 2010

Carta-declaração de amor I

Minha pequena flor,

ontem mandei um post com um filme para você, baseado no livro A maior flor do mundo, de José Saramago.
Sabe, a vovó estava meio tristinha por este escritor ter partido.
Ele esteve intensamente presente na vida da vovó e de muitas pessoas que gostam de ler.
Vovó lembrou da época em que escreveu sua Dissertação de Mestrado (1988) sobre os romances de José Saramago, Mulheres em tempo gerúndio, e dedicou-a ao seu papai, à sua tia-madrinha, ao seu vovô, aos seus bisavós, enfim, às pessoas que mais amava (e ama) no mundo.
Não incluí você na dedicatória, porque seu papai ainda era ainda um jovem de dezessete anos e você ainda não existia... Então, como o meu pensamento ontem estava com José Saramago e também estava (e sempre estará) com você, decidi enviar-lhe esta flor-livro-filme.
Não sei se você já assistiu à historinha.
Sei que você ainda é pequenina e precisa de alguém para mostrar-lhe as mensagens.
Depois você me conta se gostou dela.

com muitas saudades,

da sua vovó do Brasil