quarta-feira, maio 11, 2011

Carta a uma menina

Querida,

hoje o dia nasceu jubiloso, um dia "de extrema claridade" (Maria Gabriela Llansol).

Aqueles que te amam lutaram para que que este dia raiasse.

Ele enfim chegou, abrindo um outro futuro.
Um dia você saberá por que.
Por ora, basta viver este dia, cada dia, com a plenitude da sua infância.

domingo, maio 01, 2011

Mães

Mães lembradas.
Mães esquecidas.
Mães devotadas.
Mães distraídas.
Mães, apesar de.
Mães, graças a.
Mães.

domingo, abril 17, 2011

Uma centelha de luz - no dia dos teus anos

A lembrança de ti, aniversariante querido, persite. Hoje consigo pensar em ti de forma mais serena.
Cada vez mais com menos dor.
Não, o amor não diminuiu. Mudou a forma de lidar com a tua ausência. Virou uma saudade doce e intensa. Como uma centelha de luz.

O Tempo e as horas

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Hoje meu avô faria 86 anos.  O que foi, o que é por nós (os que ficaram) e o que será (nas memórias que vamos repetir) é como a vida: o Tempo passa e as horas ficam.  O presente é feito de vivências e acções, e o futuro de concretizações e possibilidades.  As horas passam e o Tempo fica à espera do amanhã.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

O primeiro dentinho que cair é da vovó!

Combinei com a minha netinha que quando o primeiro dentinho dela caísse, ela guardaria para mim, mesmo que eu estivesse longe.
Soube que já tem um dentinho "a abanar" (já está mole, como se diria no Brasil).
Ela não se esqueceu da promessa: "é para a vovó".
Agora é só esperar mais um pouco.
Em breve ao sorrir ela terá uma janelinha ...
Mesmo assim continuará linda.
E eu terei um enfeite único no meu cordão.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Alcoolismo

Num breve intervalo de minutos ontem de tarde fui confrontada com dois casos de alcoolismo. Pensei muito sobre eles enquanto caminhava.
No primeiro, tomei conhecimento de que um porteiro finge que está limpando com álcool a vidraça da portaria e, quando não há ninguém por perto, toma rapidamente um gole de álcool puro para alimentar o vício!
Logo a seguir, vejo um jovem, também viciado em álcool, aproximar-se de uma macumba, benzer-se e respeitosamente pedir licença para retirar a garrafa de caninha:
- Licença, meu santo, mas estou sem dinheiro...

quinta-feira, novembro 11, 2010

Prestes a nascer


Maio de 1971.
Os futuros papais seguram as alianças dos noivos*.
A jovem gestante mostra orgulhosa a barriguinha de sete meses.
Faltam apenas dois meses para a chegada do primeiro filho.
Mas eles ainda não sabem que terão um menino.


(*Por onde andarão? Os padrinhos nunca mais os reencontraram...)

quarta-feira, novembro 10, 2010

O menino


O menino sorri.
Faz pose, recostado no muro.
Não dá para perceber se já caiu o primeiro dente-de-leite, como o sorriso mais aberto da foto anterior (post de 9 de Novembro) deixa entrever.
A irmãzinha acabara de nascer.

terça-feira, novembro 09, 2010

Uma linda família


O pai tinha 3o anos.
A mãe, 26.
O filho mais velho, 5 anos.
E a menina-bebê entre 4 e 6 meses.
A foto foi tirada num clube português, na Barra da Tijuca.
Era um dia de calor, Verão provavelmente .
O futuro estava aberto.

domingo, novembro 07, 2010

Uma grande mulher

Hoje, enquanto andava com o meu amor pelo calçadão de Copacabana, recebi uma linda declaração de amor:
- Tu és uma grande mulher.
Em seguida, um forte aperto de mão.
Mútuos olhos húmidos.
Ganhei o dia. Não precisava ouvir ou receber mais nada.

"José e Pilar"

Ontem assisti ao documetário "José e Pilar".
Pensei: este homem, José Saramago, antes de conhecer esta mulher, Pilar Del Rio, já havia escrito o desejo de encontrá-la.
Se é verdade que a comunidade humana é um desastre, como afirmou o escritor, é também verdade que ela se redime em histórias de amor como estas - na que ele viveu com Pilar e nas que deu vida em seus romances.

sábado, novembro 06, 2010

Klimt?

O desenho da criança (cf. post de 1 de novembro) cheio de pequeninas figuras geométricas coloridas faz lembrar a pintura de Klimt. Mas decerto ela nunca viu nenhuma pintura deste pintor amado pela madrinha. Afinidades estéticas e afetivas?

terça-feira, novembro 02, 2010

Ao meu sogro José, também pai

Saudades da sua doçura e bondade, da sua ampla e includente forma de amar.
A minha gratidão, por sempre me ter acolhido como filha.

Ao meu pai

Vives em mim intensamente.

"Se estamos falando nele, nasce".

José Saramago

segunda-feira, novembro 01, 2010

As crianças, o desenho, o SOL


1977. Uma criança parece ignorar o exercício de avaliação e entretém-se a desenhar um Sol imenso. Os raios derramam-se entre o cabeçalho e o enunciado das questões, e se prolongam até o fim da primeira página.

A professora encanta-se com o desenho espontâneo da criança mas incentiva-a a terminar a tarefa escolar. A mãe também se encanta e guarda este belo trabalho. Por onde andará? Talvez jamais o encontre entre tantos papeis. Mas sempre saberá como encontrá-lo no lugar onde as coisas nunca se perdem.

2010. Uma criança faz sempre um Sol em seus desenhos cheios de detalhes e de cores. Através da webcan, a avó da criança (mãe da criança da primeira história) assiste a uma cena que a faz lembrar da antiga cena: a criança pede ao pai para escolher qual dos desenhos é o mais bonito. "Os dois são bonitos", responde o pai. A criança oferece ao pai um dos desenhos, recebe um afago de volta e vai brincar.

O pai comenta com a avó que a psicóloga atribui um significado especial à presença deste Sol constante. A avó acrescenta: "Sim, Sol é vida." E depois pensa: "Talvez este desenho também se perca entre os papeis do pai. Mas ele sempre saberá como encontrá-lo".

quinta-feira, outubro 28, 2010

Rede de afetos I - O neto e o avô dos castelos


O menino tinha cerca de 4 ou 5 anos.
Esta foi talvez a sua segunda viagem a Portugal.
Adorava passear de carro com o avô.
Maravilhava-se sobretudo com os castelos.
Nunca se cansava de ver castelos e mais castelos.
De tanto passear com o avô e pedir-lhe para ver castelos, passou a chamá-lo de avô dos castelos.
Talvez também o avô intimamente o chamasse neto dos castelos...

quarta-feira, outubro 27, 2010

Crianças, afetos e bichos

Hoje, no primeiro intervalo da escrita, fui visitar a minha neta do coração, a mãe dela e a nova habitante da casa.
Não é peixe, nem cão, nem gato.
É uma coelha - a coelha Pipoca.
Vive numa gaiola grande na sala, sem sustos diante dos humanos. Por vezes fica solta na varanda.
Volto para a casa contente do breve dedo de prosa trocado com a vizinha, enquanto ela pintava uma caixa de retratos, prenda para a sogra.
Ao retomar a escrita, ouço a conhecida corrida do outro neto do coração pelo corredor.
Ele veio me visitar antes de ir para a creche. Sentiu saudades.
Levou o carrinho do meu filho e deixou um livro de histórias.
Logo mais vamos destrocar.
Oh coisa boa!

sábado, outubro 23, 2010

Calmo Bairro Peixoto, nesta linda Copacabana...

Este é um dos lugares em que meu corpo encontra-se em plena sintonia com o meu espírito.
Amo receber a acolhida calorosa da minha vizinha, guardiã das minhas plantas e da minha correspondência,
e o abraço espontâneo dos meus netos do coração.
Amo rever a generosa arcada verde das árvores da Rua Maestro Francisco Braga,
e os rostos sorridentes de vizinhos e amigos que reencontramos no elevador e na calçada.
Amo ir a pé aos mercados próximos, onde compramos os nossos alimentos. e andar pelo calcadão de vista esplendorosa para o mar.
Tudo isto ajuda a bem regressar.
Sinto falta, é claro, das pessoas amadas que deixei do outro lado do cais,
mas conforta-me (re)encontrar este ponto de coincidência sustentado por tanto calor humano e pela beleza da paisagem.