sexta-feira, agosto 15, 2003

Insónia dos anjos



Sempre achei que os anjos dormiam de bruços para não magoar as asas. Hoje encontrei um anjo grávido. Se eu fosse um poeta como Caetano Veloso diria que o tempo parou para olhar para aquela barriga. Um ventre muito convexo, prateado. Não hesitei em pensar como repousava aquele anjo que prepara outra pessoa (um bebé alado?). Talvez durmam de lado os anjos grávidos. Ou então simplesmente quedam suspensos no céu, fazendo do ar leito macio. Quando não descobrem a posição correcta para o encontro com os sonhos, acabam por sucumbir à força da gravidade. Poucos sabem, mas assim sucedeu a primeira queda de um anjo. Houve quem dissesse que as mulheres aladas e grávidas eram expulsas do espaço celeste por conspurcarem a pureza dos querubins. Mas é mentira. Elas apenas sofriam de insónia.

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